terça-feira, 8 de novembro de 2016

O GOL


A vida tem muitos momentos sublimes, inesquecíveis. Alguns importantes outros que aparentemente nem são, mas que nos fazem um bem danado, um bem na alma.

Um deles, dos mais importantes é o gol.

Quem não curte futebol não entende como esse momento pode ser tão sublime para gente. Mas o gol é aquele momento de extravasar, de soltar um grito sufocado, de emocionar, fazer abraçar o cara do lado que nunca vimos na vida ou chorar como criança. Todos que gostam de futebol tem aquele gol que lhe marca.

Tem uma música que tocava na Rádio Globo de São Paulo, que não sei se ainda toca, que o operador de som colocava na hora do gol que dizia "É gol que felicidade, é gol o meu time é o mais querido da cidade" o sentimento é esse mesmo na hora do gol, de felicidade.

Sou Flamengo e tenho meus gols inesquecíveis. O gol de Renato na semifinal do brasileiro de 1987 contra o Atlético no Mineirão, o terceiro na vitória por 3x2, o antológico e famoso gol de Pet contra o Vasco no carioca de 2001, o gol de cabeça de Ronaldo Angelim contra o Grêmio em 2009. Dos que não vi e sempre me arrepia ao ver está o gol de Nunes, o terceiro na final contra o Atlético em 1980 e, evidente, os gols do mundial de 1981.

Pela seleção brasileira os gols do meu ex ídolo Ronaldo na final da copa de 2002, ex ídolo porque não adianta você ser um grande jogador se jogar bola é apenas uma atividade que faz de uma pessoa homem ou não, também tenho como marcante o gol de Falcão, o segundo na derrota para a Itália em 1982 e claro, o gol de falta de Branco contra a Holanda nas quartas de final da copa de 1994.

Reconheço gols importantes de outros times como os quatro que fizeram a virada épica do Vasco contra o Palmeiras na final da Mercosul de 2000, o gol de barriga de Renato pelo Fluminense contra o Flamengo na final do carioca de 1985, gol de Mauricio pelo Botafogo na final do carioca de 1989 contra o Flamengo ou o impedido de Tulio contra o Santos na final do brasileiro de 1985.

O gol de Basilio que tirou o Corinthians de uma fila de 23 anos, de Paulinho na Libertadores de 2012 que classificou a equipe diante do Vasco, o gol de Guerrero que deu o título mundial ao clube. O gol de falta de Raí pelo São Paulo dando a vitória contra o Barcelona no mundial de 1992, de Renato pelo Grêmio na prorrogação contra o Hamburgo na final do mundial de 1983, de Figueroa pelo Inter em 1975, gol de seu primeiro título brasileiro ou de Adriano Gabiru contra o Barcelona lhe dando o título mundial de 2006.

Enfim..Todas as torcidas tem seu gol do coração e mesmo quando não é o time que torcemos tem aquele gol que nos encanta. Seja bonito ou feio o importante é fazer gol. É pelo gol que o futebol existe. O gol é o orgasmo do esporte.

Por quê decidi falar de gol hoje?

Para falar do gol mais importante da história do futebol brasileiro e num ato patriótico sou capaz de dizer do futebol mundial. Esse gol foi marcado no dia 21 de junho de 1970. A bola começou com Clodoaldo na defesa da seleção brasileira, o mesmo deu uns dribles perigosos em que mostrou todo seu talento e a bola foi passando de pé em pé naquele que foi o maior time que o esporte já produziu.

Até que chegou em Pelé e esse parou a bola e parecendo tocar com nojo rolou para o lado e Carlos Alberto deu um chute extraordinário fazendo o gol. O último gol da copa de 70, o último ato da maior de todas as seleções.

Lembro esse gol antológico para, com atraso, saudar Carlos Alberto Torres que nos deixou algumas semanas atrás. O homem que levantou em definitivo a Jules Rimet agora é saudade e história. Do pé de um lateral direito saiu o maior gol da história do futebol, corrigindo, não de um lateral direito, mas do lateral direito.

Essa copa já tem 46 anos. Aos poucos os craques daquele time inesquecível vão envelhecendo e partindo e, só podemos agradecer a quem fez essa história. Obrigado Carlos Alberto Torres. Obrigado a todos, dos craques aos maiores botinudos, que são capazes de exercendo seus trabalhos fazer de nossas vidas mais felizes.


No gol do meu time eu também me sinto um artilheiro.


Eu me sinto campeão.


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