sexta-feira, 4 de novembro de 2016

DINASTIA: CAPÍTULO XXX - O HOMEM DA JUSTIÇA


Decidi que tinha que seguir minha vida. Não procurei mais Luciana, não quis saber como ela estava com Rafael. Machucava-me muito saber que os dois estavam juntos, que não tinha o amor de minha vida comigo por burradas que cometi. Mas não iria martirizar-me pra sempre, isso não era comigo.

Meu bisavô que era um senhor de quase 100 anos perdeu pela segunda vez o amor de sua vida, de forma definitiva dessa vez e não esmoreceu. Não seria eu ainda jovem que iria. Pepe Granata tinha suas limitações devido a idade avançada. Não tinha mais forças nas pernas, andava de cadeira de rodas e com uma enfermeira lhe acompanhando, mas continuava extremamente lúcido. Ricardo mandava nos negócios, mas toda a manhã estava na mansão para receber conselhos do que fazer.

Um dia ele saía do escritório depois de mais uma reunião com o Barão e soltou baixinho um “puta que pariu, esse velho não morre”. Eu estava perto e ouvi. Fiz questão de mostrar que ouvira e falei em seu ouvido “oi tio, falando sozinho??”.

Ricardo se assustou com minha presença, se recompôs, respondeu que apenas pensara alto e perguntou se eu estava preparado pra assumir os negócios já que eu era o herdeiro. Ri e comentei que era cedo para pensar nisso, quando fosse a hora conversaríamos.

Desgraçado..Ricardo era um ser soturno, das trevas. A vontade que tinha era de esganá-lo, mas tinha que sorrir. Eu era advogado e fazia isso bem.

Por falar em advogado iria naquela manhã começar a trabalhar no escritório de Cássio. Coloquei o terno, com ajuda da empregada a gravata e fui ao centro de Feital onde ficava o escritório.

Como eu já disse Cássio era um dos advogados mais renomados do estado e seu escritório era grande, luxuoso e contava com vários advogados. Cheguei com sorriso no rosto e encontrei meu padrasto bebendo café e falando ao celular. Falei que estava pronto para as batalhas e sem me dar muita atenção, extremamente ocupado Cássio comentou com a secretária “Dona Cristiane, acomode o Dr. Francisco em sua sala”.

Cássio saiu e a moça bem simpática me levou. Era uma sala bacana, grande para um novato e ela mandou que eu ficasse a vontade. Tirei o paletó, sentei e dei um sorriso de satisfação.

Algumas horas depois o sorriso de satisfação virou tédio, não tinha nada para fazer. Comecei a incomodar Cristiane pedindo para ver alguns processos, mas todos estavam nas mãos de alguém. Fui embora no fim do expediente frustrado.

Fui até o apartamento de minha mãe e Cássio estava lá vendo futebol. Ele me viu, levantou e me deu um abraço pedindo desculpas por na correria não conseguir falar comigo. Pedi para conversar com ele e Cássio me perguntou de existia algum problema, se me trataram mal no escritório.

Respondi que não, muito pelo contrário, me trataram muito bem. O problema é que não tive nenhum trabalho, fiquei o dia todo sem fazer nada e queria trabalhar. Cássio sorriu e pediu que não me preocupasse que isso seria consertado no dia seguinte.

No dia seguinte realmente tive coisas para fazer, mas parecia trabalho de estagiário não de um advogado formado. Com o passar das semanas pegava uma coisinha aqui, outra ali, mas nada de relevante ainda. Até que um caso mudou minha vida e me levantou como advogado.

Entrei na sala de Cássio e o encontrei preocupado. Perguntei o que ocorria e ele respondeu que não sabia se devia me contar. Ele mexia no computador, mal me olhava e aquilo me deixou preocupado. Perguntei o que ocorria e ele respondeu que Luciana acabara de sair do escritório.

Sentei espantado com a novidade e perguntei se ela fora pedir emprego. Cássio respondeu que não, que fora lá para contratar seus serviços. Já muito preocupado perguntei qual problema ela passava. Cássio respirou fundo e virou a tela do computador pra mim.

Luciana “caíra na net”. Fotos dela transando com Rafael se espalharam pela internet e redes sociais com a velocidade que só o mundo moderno tem. Comentei abismado “que desgraçado” e Cássio contou que ela processaria o ex-namorado.

Falei para Cássio que o caso era meu. Ele disse que não, eu fora namorado dela, mas insisti e ameacei pedir demissão se ele não me desse o caso. Cássio acabou aceitando, pedi o endereço de onde Luciana estava e ele me deu.

Tenso, toquei a campainha e esperei que o amor de minha vida atendesse. Eu estava furioso com a situação, de ver Luciana exposta daquela maneira e se eu fosse um Granata à moda antiga fatalmente Rafael já estaria conversando com o capeta no inferno.

Mas eu era um advogado, um agente da lei e tinha que ter o sangue frio. Mas que dava vontade de matar dava.  

Luciana se assustou quando me viu e perguntou o que eu fazia ali. Tentou fechar a porta e eu segurei. Ela perguntou se eu fora pra rir de sua desgraça e seco respondi que não, estava como seu advogado. Luciana soltou a porta e contou não acreditar que Cássio fizera aquilo com ela. Entrei na casa, sentei em um sofá e pedi que ela me contasse toda a história.

Luciana fechou a porta e me olhou. Abri a maleta e falei “vamos Luciana, não tenho muito tempo”. Minha ex-namorada sentou-se a minha frente e contou que aquelas fotos e vídeos eram do celular de Rafael que pediu para fazer imagens e ela apaixonada acabou deixando. Terminaram há algumas semanas e ele decidiu se vingar.

Ouvi toda história e falei que entraríamos com um pedido de indenização e a retirada imediata das imagens das redes sociais. Ela concordou e fechei minha maleta para sair. Encaminhei-me até a porta, Luciana abriu e dei “tchau” saindo.

Quando saí Luciana deixou cair um pouco a resistência e me disse “obrigada”. Não aguentei e perguntei para ela “foi por esse verme que você me trocou?”. Antes que ela falasse alguma coisa completei “desculpa, não está mais aqui quem falou” e fui embora.

Meu relacionamento com Luciana foi estritamente profissional não dando abertura para mais nada. Mas pra mim não era apenas profissional, era pessoal também. Eu queria “ferrar” a vida do Rafael e mostrar a Luciana que ela foi uma idiota preferindo a ele.

No começo Rafael tentou alegar que seu celular fora roubado, mas não colou. No fim ocorreu uma conciliação e Rafael pagou a Luciana oitenta mil reais de indenização. Na saída do fórum ela me agradeceu, tentou me abraçar e me esquivei.

Luciana se irritou e comentou que ela era a vítima, eu tinha lhe traído. Respondi que estava ali como seu advogado e o que existia antes morrera pra mim. Ela ficou sem palavras e desejei boa sorte em sua vida.

Entrei no carro e parti deixando Luciana pra trás. Meus olhos encheram-se de lágrimas. Não era assim que eu queria lhe tratar. Não era aquilo que eu queria lhe dizer e a sensação era que nossa história acabava ali em definitivo.

Voltei ao meu trabalho de dia a dia no escritório.Com o caso de Luciana que alcançou certa repercussão tornei-me mais valorizado no trabalho, alcancei a confiança de Cássio e seus sócios. Fui direcionado à parte de direito criminal junto com alguns outros advogados bem mais experientes que eu. Mas era aquilo que eu queria, queria aprender.

Alguns dias depois me surpreendi vendo Luciana no escritório. Ela me cumprimentou e perguntei se algum problema ocorrera. Cássio passou por nós e comentou que Luciana trabalharia conosco. Fiquei em silêncio enquanto Luciana irônica disse que eu não era mais seu advogado, éramos colegas.  

Dessa forma voltei a ter Luciana em meu dia a dia. Eu resistia, não queria me aproximar dela, apesar de ter lhe traído eu me magoara com a troca por um cara que lhe jogou na internet. Luciana ainda tentava alguma aproximação, conversar, mas eu me esquivava. Não queria me magoar de novo, me magoei na infância, fase adulta e por mim já estava bom.  

Uma noite o escritório já estava quase vazio quando Luciana me convidou para lancharmos. Mexendo no computador respondi que não dava, estava atarefado. Ela argumentou que fugir dela não adiantaria nada. Sem olhar para ela dei boa noite, Luciana respondeu que eu era grosso e saiu.

Continuei trabalhando até que meu telefone tocou. Não reconheci o número, mas atendi assim mesmo. Do outro lado da linha uma senhora perguntou se eu era o bisneto do Barão, respondi que sim e chorando ela me pediu ajuda.

Não entendi o que a mulher queria e pedi para ela ser mais específica. Ela respondeu que era perigoso falar por telefone, precisava me ver. Pedi para que ela fosse até o escritório e a mulher respondeu que era um “arquivo vivo” e não podia aparecer.

Comecei a me interessar por aquela história e pedi um endereço para falar com ela. Ela deu o nome de uma rua e um número.

Era em Feital mesmo. Fui até o local e não tinha nada, apenas uma casa abandonada. Um menino apareceu perguntando se eu era o Chico, respondi que sim e ele pediu para que eu lhe seguisse.

Segui o garoto. Andamos uns dez minutos e demos em uma casa pequena. Ele me pediu que eu entrasse que a dona Wilma me esperava.

Entrei e encontrei uma mulher com cerca de cinquenta anos de idade, cabelos brancos, óculos, acabada para a idade. A mulher assustada perguntou quem eu era e respondi “Chico Granata”. Ela deu graças a Deus e me abraçou dizendo “num Granata eu confio”.

Sentei e perguntei o que ocorria, ela me contou.

A mulher se chamava Wilma. Moradora de uma favela em Feital viu o filho se envolver no tráfico de drogas. O rapaz chegou a ser um dos chefões do tráfico no morro, foi preso, mas na cadeia se converteu em cristão. Foi solto, voltou para o morro, pregava numa igreja, mas foi assassinado na sua frente.  

Perguntei se outros traficantes lhe mataram e ela respondeu que não, foi a milícia. Estranhei sua afirmação. Sim eu sabia que existia milícia, mas não sabia que chegara a Feital. Wilma contou que o filho foi executado pelo major Motta. Comandante da milícia em Feital.

Eu já estava totalmente instigado por aquela história e Wilma pediu que eu fizesse alguma coisa, queria ver o assassino de seu filho na cadeia. Pensei um pouco e respondi que lhe ajudaria, seria seu advogado.

No dia seguinte contei a história para Cássio que respondeu achar melhor que eu não metesse. Perguntei porque e meu padrasto respondeu que milícia era coisa séria, eu poderia me meter em problemas e eu falei que seria o advogado de Wilma, fosse representando pelo escritório ou não.

Cássio sorriu e comentou “você é topetudo”. Respondi que era um Granata e ele topou que eu pegasse o caso, só tomasse cuidado. Agradeci e ele se retirou.

Luciana surgiu e comentou que queria trabalhar no caso comigo. Respondi que não e ela perguntou porque, se eu não lhe respeitava como advogada. Respondi que aquilo não era brincadeira, era sério e poderia ser muito perigoso.

Luciana irritada comentou que era perigoso para ela e pra mim também e que exigia de mim o mesmo respeito que eu pedi a Cássio. Não tive alternativas e acabei aceitando.

Fui até a mansão e conversei com meu bisavô sobre o caso. Pepe também não sabia da entrada da milícia em Feital e não gostou de saber. Falei para ele que pegaria o caso e tentaria botar o tal major na cadeia. Pepe respondeu que eu tinha seu apoio.

Meu bisavô era um homem íntegro. Não esperava outra coisa dele.

Ricardo ouviu escondido toda a história e me desaconselhou a fazer algo contra milícia. Perguntei porque e ele me respondeu que era gente perigosa, poderosa e poderiam me esmagar. Ri e comentei que eu era da família Granata e não existia família mais poderosa em Feital que a nossa. Ricardo sério se aproximou e mais uma vez disse para que eu não me metesse, pois, iria me machucar.

Ouvi a tudo sem entender o porque daquelas palavras de meu tio. Pepe mandou que eu não desse ouvidos a ele, um Granata nunca se acovardava e que eu fizesse aquilo que achasse melhor. Olhando sério para meu tio Ricardo disse ao meu bisavô que assim que eu faria.

Eu e Luciana começamos a investigar o caso do rapaz morto e cada vez mais surgiam provas, pessoas dispostas a falar e eu já tinha certeza do envolvimento do major Motta e seus milicianos com o
crime. Não que eu duvidasse de Wilma, mas já tinha como provar.

E com o caso do rapaz acabei entendendo e descobrindo mais como a milícia funcionava em Feital, não só em Feital, mas por todo o Rio de Janeiro. Percebi a aproximação dos milicianos com políticos, personalidades. Eles armaram um esquema poderoso para tomar o poder do estado.

Virava a noite com Luciana no escritório estudando o caso. Uma forma que todos aqueles homens fossem condenados. Uma noite eu já quase dormia sobre papéis quando a Luciana apareceu com um café.

Agradeci e respondi que não precisava, mas ela insistiu e bebi. Luciana sentou ao meu lado e mandou que eu fosse pra casa descansar. Eu, sem olhar para ela, contei que já iria, só acabaria de reler uns papéis e do nada ela falou “desculpa pelo aborto”.  

A sensação na hora foi que eu despertei. Virei para ela e perguntei “como?”. Luciana respondeu que lamentava pelo aborto que fez, não podia ter feito sem o meu consentimento e talvez eu não fosse o único culpado de tudo dar errado.

Deixei os papéis de lado e perguntei o porque daquele assunto. Luciana respondeu que via meu trabalho em cima do caso, meu trabalho como advogado, ético, correto, corajoso e sentia um orgulho muito grande.

Desanimei com sua resposta, peguei os papéis de novo para ler e apenas disse “obrigado”. Luciana continuou e falou que eu era um grande homem, o homem que lhe apaixonou desde a primeira vez que me viu com oito anos.

Eu fiquei sem saber o que dizer, ainda mais quando ela completou com “eu te amo”. Eu sonhei ouvir aquilo a todo o momento desde a nossa separação, mas não consegui responder nada. Luciana perguntou se eu ficaria em silêncio e em vez de dizer “eu também te amo, volta pra mim” falei “to cansado, me deixe ver esses papéis”.

A mulher que eu amava, que queria comigo pra sempre, ficou extremamente desapontada com minha resposta e disse “ta bom, desculpe te atrapalhar”. Limpou as lágrimas e com toda dignidade do mundo levantou-se e foi embora.  

Fiquei mais um tempo no escritório até que me toquei da burrada que fizera. Levantei correndo e desci do escritório. Peguei o carro e voei.

Voei em direção a sua casa.

Toquei muito a campainha e Luciana assustada atendeu. De frente a ela finalmente eu tive coragem e falei “também te amo, volta pra mim”. Peguei seu rosto e lhe beijei apaixonadamente, como há muito não fazia.

Luciana me puxou para dentro e fizemos amor ali mesmo na sala.

O ambiente ficava bem melhor, minha vida bem mais feliz com Luciana presente nela. Dava muito mais gosto trabalhar apesar de todas as dificuldades.

Testemunhas que se comprometeram a falar no tribunal o que ocorria misteriosamente desistiram. Eu começava a encontrar muito mais dificuldade para tudo e também a receber ameaças.

Já não eram raras ligações ao meu telefone pedindo para que eu largasse o caso. Luciana mesmo já me perguntava se era uma boa continuar, mas eu quis.

Não tive medo. Continuei a andar sem seguranças e fazer os mesmos trajetos de sempre. Achava que era um Granata e pensava que por isso nada me aconteceria esquecendo que tirando meu bisavô Pepe o sobrenome Granata não ajudou muito os outros familiares. Pepino e Luigi comprovaram.

Uma noite saía do escritório sozinho como sempre e entrei no carro. Ligando o veículo senti um revolver sendo encostado em minha cabeça e uma pessoa mandando que eu descesse. Eu não andava armado, não seria louco de reagir. Respondi “ok” e desci do carro.

O homem com a arma apontada pra mim me levou até outro carro em que outro homem estava ao volante. O homem com a arma abriu a porta de trás do carro e mandou que eu entrasse. Quando fui entrar tomei uma coronhada e desmaiei.

Acordei com balde d`agua jogado em cima de mim. Acordei no susto e vi que estava em uma casa. Um homem pegou uma cadeira, sentou a minha frente e perguntou se eu fora bem tratado. Perguntei quem ele era e o homem respondeu “sou o homem que você cismou que é um bandido, major Motta”.

Aleguei que não era cisma, eu estava investigando e o homem respondeu que não. O major levantou e perguntou se eu sabia como era a favela antes de sua chegada. Antes que eu falasse algo ele mesmo respondeu “a favela era recheada de traficantes que não respeitavam a população, esculachavam, aquilo era um lugar cheio de viciados. Eu acabei com tudo, devolvi o respeito para a comunidade”.

Comentei que era muito fácil se achar guardião da justiça lucrando com isso. Cobrando por gás, por tv a cabo pirata, transporte alternativo e matando quem não se enquadrasse. Major Motta aproximou-se de mim e argumentou “você se acha muito esperto né? Se escora em um sobrenome. Só que quem tem o corpo fechado é o Barão, não você”.

Lembrei a ele de meu sobrenome e falei que era melhor que me soltasse. Major Motta respondeu que soltaria, mas se eu continuasse no caso nos veríamos de novo e não seria tão amistoso. Completou dizendo que eu iria, mas levaria uma lembrança sua.

Chamou seus subordinados e saiu. Os homens me deram uma surra e me jogaram em um terreno baldio.

Consegui pedir ajuda. Fui levado a um hospital e medicado. Dei queixa na delegacia e não abaixei a cabeça. Meu bisavô queria se vingar e respondi que não, eu faria do meu jeito, pela justiça.

Ordenei que Luciana saísse do caso sob pena de terminar o namoro e continuei sozinho. Se alguém teria que sofrer as conseqüências de enfrentar a milícia seria eu, apenas eu.

Continuei e fui até o fim. Arrumei dois seguranças para minha proteção e consegui levar major Motta ao banco dos réus. O caso ganhou muita repercussão na imprensa e acredito pela primeira vez um Granata se envolvera em um caso judicial do lado da justiça, não como vilão.

Depois de três dias o major foi absolvido. Protestei gritando que cometiam um erro absolvendo bandidos. O major sorrindo abraçava os seus quando perguntei ao juiz quanto ele recebera para absolver.

Acabei preso.

Minha prisão mobilizou a opinião pública. A população de Feital reforçada por manifestantes de outras cidades do Rio de Janeiro foi para frente da delegacia onde eu estava preso e não arredaram pé pedindo justiça e minha libertação.  

Depois de dois dias Cássio conseguiu minha soltura. Quando apareci na frente da delegacia fui aclamado pela população e naquele instante ganhava um apelido “o homem da justiça”. Juntava-me a Pepe Granata, o Barão de Feital, como um Granata a ter apelido.

Luciana me abraçou, me deu um beijo e disse em meu ouvido ter orgulho de mim. A imprensa veio toda para cima e Cássio correu para me proteger. Eu andei até o carro cercado por seguranças, abraçado por Luciana e com Cássio dizendo à imprensa que eu não falaria nada.

Até que um repórter perguntou se tudo acabaria ali. A bandidagem venceria.

Cássio respondeu que eu não falaria e eu disse “espera”. Pedi que o repórter refizesse a pergunta e respondi.

“Nunca, enquanto eu estiver vivo”.

Entrei no carro com Cássio e Luciana. O motorista perguntou para onde eu queria ir e respondi “toca para a mansão do Pepe”.

Entrei indo direto em direção ao meu bisavô. O Barão perguntou se estava tudo bem e respondi que precisava de sua ajuda. Pepe perguntou para que e eu respondi.

“Eu quero ser deputado estadual”.

Estava na hora de um Granata usar a política a favor do povo.



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ENTRE ERROS E ACERTOS

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