quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O SER POLÍTICO


"O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Bertolt Brecht"

Sempre que eleições se aproximam eu penso nesses dizeres de Brecht. Porque político é meio como rainha de bateria. Só vemos em uma época do ano e no restante ficam congelados em algum frigorífico. As rainhas aparecem no carnaval e os políticos em eleições.

O político conta com o fato de pensar que o eleitor é otário, e muitas vezes está certo, que basta um jingle bonitinho (aqui no Rio quase sempre samba) um sorriso colgate e esbanjar simpatia que o eleitor vai esquecer de todas as promessas que fez na eleição anterior (não cumpridas) e votará nele de novo.

Agora temos as redes sociais para alavancar mais ainda os candidatos. Tem seu lado bom porque democratiza um pouco a coisa já que eleição, infelizmente, não é para candidato pobre. Mas aumenta o nível do "sacocheiômetro". Eles já nos azucrinam com carros de som nas ruas, tv, rádio e agora invadem a internet, nossas redes sociais para nos convencer.

Político, na maioria, trata de tudo, menos do que realmente interessa. Meu bairro, a Ilha do Governador, tem uns seis ou sete candidatos a vereador. Pra começar isso é exagero. A vaidade desses cidadãos não permite pensarem que quanto mais candidatos temos menores são as chances de algum ser eleito já que os votos irão se dividir. É como falei em coluna anterior, Ilha só tem político baixo clero, não tem nenhum de relevância na política fluminense.

E mesmo com essa quantidade enorme de candidatos eu não consigo conhecer as propostas de ninguém. Político da Ilha se parece muito com aqueles de cidade do interior. Acham que o sorriso, o jingle, distribuição de camisas de futebol, churrascos, diplomas  são mais importantes. O eleitor não sabe qual é a atribuição de um vereador e esses políticos se aproveitam disso. Eu vejo alguns candidatos pelo Rio de Janeiro, alguns até conhecidos meus, que eu não acredito como podem ter virado candidatos. Primeiro porque eu conheço e sei que não dá para botar a mão no fogo pela honestidade e segundo porque não tem a mínima noção do que é trabalho de um vereador, não resiste a uma pergunta do que se propõe a fazer pela população.

É hora de prestar atenção. Meu facebook recebe diariamente pedido de amizade de gente com números abaixo, claramente querendo entrar em minha rede social para fazer campanha. Não aceito porque não é essa a hora que político tem que convencer a votar nele. O que convence é o histórico da pessoa, o que ela faz em seu dia a dia. Esse momento é só consequência.

Mas é difícil cobrar transparência e decência nesse país da classe política. Ainda mais quando vemos espetáculos deprimentes como do impeachment onde deputados e senadores fazem do congresso nacional um circo.

E para isso fica um adendo, sei que ele não vai ler, ma escreverei assim mesmo. Eduardo Paes, a cidade está linda, parabéns. A Olimpíada foi um sucesso, parabéns. Mas na sua testa está escrito ingrato porque você recebeu muito dinheiro do governo federal e liberou seu pupilo para ir a Brasília votar pelo impeachment. Isso não esquecerei jamais. Quem se alia a golpe golpista é.

O pior analfabeto sempre será o analfabeto político.

E isso eu não sou.


Nenhum comentário:

Postar um comentário