quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O CARIOQUISMO




Semana passada morreu o produtor musical, cantor, ator, apresentador, homem de inúmeros talentos Luiz Carlos Miele.

Miele morreu como um artista de seu nível deve morrer. Em plena ativa.  Aos 77 anos de idade acabara de lançar sua biografia e estava muito animado com ela dando entrevistas e viajando pelo país. Não foi vencido pelo tempo, não definhou em um hospital. Simplesmente teve um mal súbito e morreu.

O carioqúissimo Miele.

Carioca nascido em São Paulo.

Curioso isso, mas sim, podemos dizer que Miele foi um dos maiores cariocas de nosso tempo sem ter nascido aqui. Mas ele é a personificação da frase “ser carioca é um estado de espírito”. Miele era bem humorado, gozador, charmoso, talentoso e tinha muitas histórias para contar.

Não viveu a fase de ouro do Rio de Janeiro. Ele foi um dos autores dessa fase de ouro. Junto com Ronaldo Bôscoli criou shows inesquecíveis como os do “Beco das garrafas”, produziu artistas e participou de alguns dos grandes momentos da televisão que ainda engatinhava.

Miele era contemporâneo de Simonal, Bôscoli, Nelson Motta, Daniel Filho, Hugo Carnava, a galera da bossa nova, do pasquim, do rei da noite Ricardo Amaral, outro que é carioca de São Paulo. A essência do Rio de Janeiro que se encontra em um boteco para beber umas geladas (Breja é coisa de paulista), jogar conversa fora, fazer umas músicas e soltar um fiu fiu para uma moça bonita que passa na rua.

Aliás, para quem é politicamente correto e acha esse gracejo agressão a mulher, saiba que de um fiu fiu para uma menina que ia em um doce balanço a caminho do mar surgiu a maior música da história do Brasil.

Carioca é assim. Não precisa ser carioca do Rio. Pode ser carioca de São Paulo, Minas, do Sul, da Argentina, até de Tóquio.

Pode ser carioca da zona Norte, Oeste ou zona Sul. Nossas maiores marcas são a alegria, camaradagem, irreverência e essa mistura que só nós temos e que alguns que cultivam o ódio querem acabar.

É o moleque esperto surfando no Arpoador junto com o garoto sagaz que foi da zona Norte pra lá atravessando o Rebouças batucando em um ônibus. É o velho mestre sala que da janela do barraco sorri vendo o dia amanhecer em sua comunidade. É o trabalhador que acorda junto com o galo cantar, pega a condução lotada, calor e ainda consegue soltar  uma piada dessa situação.

Porque o carioca pode perder tudo. Menos o bom humor.

Miele se foi, mas deixou seu legado. Cariocas nascem e surgem todos os dias seja em nossas maternidades, aeroportos ou rodoviárias. Sejam todos bem vindos. O Cristo lhes saúda de braços abertos sobre a Guanabara.

Tamos juntos e misturados parceiro.

3 comentários:

  1. Bacana, amor... Muito mesmo...
    Me fez lembrar versos de um samba bem recente... rsrsrs
    Sou muito fã!

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  2. Bacana, amor... Muito mesmo...
    Me fez lembrar versos de um samba bem recente... rsrsrs
    Sou muito fã!

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