quarta-feira, 28 de agosto de 2013

BOI DA ILHA EM CINCO CARNAVAIS




Chego a 20°semana da série “Cinco carnavais”. Até agora retratei trinta e uma escolas de samba, noventa e seis carnavais e chego ao último que escrevo, os próximos dois serão feitos por amigos.

Chego a esse último que para mim é o mais difícil, escrever sobre o Boi da Ilha.

É ao mesmo tempo o mais difícil e o mais fácil. Mais fácil porque dessas trinta e duas escolas é a que conheço mais e a que mais me conhece. Mais difícil porque é impossível escrever sobre o Boi com a “visão de fora” que escrevi sobre as outras. Minha vida está entrelaçada ao Boi.

Como fazer uma coluna isenta sobre ele? Como escrever da mesma forma que escrevi sobre as outras? Simples de resolver. Não farei como fiz com todas as escolas. Não sou jornalista, não estou escrevendo uma tese de mestrado. Resolvi na simplicidade desse blog fazer uma homenagem às escolas de samba contando um pouco de suas histórias e cinco carnavais importantes para mim.

Mas com o Boi não consigo ser isento, imparcial, ver de fora nada disso então vou escrever como torcedor da escola e compositor dela desde 1997. Soaria falso se não fosse assim e nossa relação sempre foi verdadeira.

O Boi da Ilha do Governador surgiu como Boi da Freguesia em 1965. No começo as pessoas saíam pelas ruas do bairro com uma alegoria representando uma cabeça de boi à frente cantando “boi, boi, boi, boi, lá vem a polícia montada no boi/ boi, boi, boi, boi o povo pergunta o que foi, o que foi”. Com o tempo virou bloco de enredo se transformando em um dos mais tradicionais blocos da cidade.

Um bloco grande que atraía não só os principais sambistas do bairro como formava centenas. O Boi sempre foi o celeiro de bambas da Ilha revelando gente que foi brilhar na União e em escolas de samba pelo Rio de Janeiro. Sua bateria era respeitada, muitas vezes emprestava instrumentos para a irmã maior e seu concurso de samba-enredo tão intenso que os sambas eram divididos em chaves e cantados durante a semana inteira. Cinquenta, sessenta parcerias duelavam pra ter a honra de sua obra cantada na avenida.

Os maiores malandros, os maiores sambistas, os maiores insulanos eram os maiores boiadeiros.

Em 1988 decidiu virar escola de samba. Oscilou entre os grupos menores até chegar ao grupo A em 2001. Permaneceu no mesmo até 2003 e hoje está no Grupo C.

Celeiro de sambas, escolas de grandes sambas. Suas cores são preto, vermelho e branco e a fundação 15 de janeiro de 1965.

Boi da Ilha de “Diz no pé Brasil” de 1991, “Sua majestade o rei Xangô” 1992, “O Boi mostra e faz suas festas” 1993, “Rio de Janeiro, Paraíba sim senhor” 1996, “Círio de Nazaré” 1998, “A saga de Kananciuê na aurora do mundo Carajás” 1999, “Paranapuã – Governador, na história de uma Ilha, memórias de uma nação” 2000, “Em 500 anos de glórias, Cabo Frio conta sua história” 2003, “As águas de Oxalá” 2005, “Alô, alô se liga! Tem Boi na linha” 2007.

Costumo dizer as pessoas importantes de cada escola, mas no Boi não dá. Primeiro pelo medo enorme de esquecer alguém, segundo porque todos são importantes. Todos que já dedicaram seu suor, seu sangue, sua lágrima pela agremiação. Que martelaram um prego, colocaram um tijolo na antiga quadra, fizeram uma alegoria, uma fantasia, que batucaram, tocaram, cantaram, escreveram, dirigiram, presidiram. Deram seu tempo ao Boi, deram dinheiro sem cobrar nada em troca, deram saúde, deram a vida.

Todos aqueles que me receberam com carinho saído da adolescência em 1997, que tiveram paciência com meus arroubos de garoto ou mau humor quando perco e se eu tenho é porque gosto da escola. Pessoas que já dividi momentos alegres e tristes, que me viram sair dessa fase de garoto, me transformar, crescer e virar pai.

Cheguei ao Boi com pouco mais vinte anos, daqui a pouco faço quarenta. São dezesseis anos no Boi da Ilha ininterruptos, mais que em qualquer escola ou faculdade que estudei, mais que qualquer relação que tive na vida tirando minha família. Foram quatorze disputas de samba, treze finais e seis vitórias. Mais três sambas de terreiro, um Estandarte de Ouro, um S@mba-Net, um troféu Jorge Lafond. Uma história de amor com a escola de samba da minha rua e que eu moleque ouvia seus ensaios de minha janela e no carnaval com radinho de pilha me desesperava atrás de seu desfile e apuração.    

Mais do que tudo isso. O Boi da Ilha me deu um lar, uma família, meu crescimento.

Boi da Ilha de todos, Boi da Ilha do meu coração, Boi da Ilha que sim, citarei um nome porque ele foi o principal responsável por eu ser um compositor de samba enredo respeitado hoje em dia.

Boi da Ilha de Eloy Eharaldt.

Que assim como com o Acadêmicos do Dendê não conseguirei mostrar os cinco carnavais que mais me marcaram porque carnavais que eu queria postar como 92, 96 e 2005 não estiveram disponíveis para anexo no youtube. Mas mesmo assim colocarei carnavais importantes para mim.    

A partir de agora Boi da Ilha em cinco carnavais que me marcaram como compositor, sambista..

..E como homem.


BOI DA ILHA É HOLAMBRA, A TUPILA BRASILEIRA 2002


Samba de Aloisio Villar, Paulo Travassos, Roger Linhares, Cadinho da Ilha e Mestre Arerê.

O Boi da Ilha chegara no ano anterior ao grupo de acesso A surpreendendo e se mantendo no mesmo com uma boa colocação.

O desafio para 2002 seria maior.

Além de manter a boa impressão deixada no carnaval anterior teria um desafio novo. A União da Ilha, a poderosa escola do bairro caíra de grupo e naquele instante iria rivalizar com o Boi. As duas, União e Boi no mesmo grupo, algo impensável até pouco tempo antes.

Não foi bom para nenhuma das duas escolas. Uma rivalidade foi fermentada naquele momento chegando a proibição do então presidente da União da Ilha Alfredo Fumaça que baianas da União desfilassem no Boi.
Mas o Boi não se abateu e escolheu um bom enredo. Um enredo a princípio CEP, falando de uma cidade, mas interessante porque era Holambra, a cidade das flores.

O enredo foi desenvolvido pelo carnavalesco Edson Siqueira e executado na avenida por Marco Antônio. Nossa parceria campeã do ano anterior se desmanchou. Apenas eu e Paulo Travassos ficamos e agregamos ao grupo Mestre Arerê, Roger Linhares que cantara nosso samba em 2001 e Cadinho da Ilha, meu primeiro parceiro e cantor no Boi da Ilha que voltava ao samba.

Na época Roger morava em minha casa então tudo ficou mais fácil. Fiz uma letra, ele rapidamente pôs melodia e nos encontramos com os outros parceiros para modificações que sempre são necessárias. Para o refrão tive a ideia de usar a expressão “Balança a roseira” devido um funk de sucesso da época do Bonde do Tigrão que usava essa frase, achei que tinha tudo a ver com o enredo.

Curioso que ao terminar o samba não encontrávamos uma palavra para o lugar de “cheiro” que achamos feio. Da sala minha avó sugeriu “essência” e assim a essência “deu aroma a vida”.

Samba mais subjetivo que já participei até hoje onde a história da cidade foi bem resumida no refrão do meio e brincamos o tempo todo por ele falando de flores. Estrutura de samba parecida com do ano anterior com segunda de samba pequena, melodia gostosa e uma disputa nossa irrepreensível aonde chegamos como favoritos à final e vencemos conquistando o bicampeonato.

Roger, Cadinho e Nando Pessoa levaram o samba na avenida debaixo de forte chuva e a escola tendo problema com um carro alegórico que não entrou. Mesmo assim o Boi fez um grande desfile e alguns veículos de comunicação até lhe colocaram como postulante ao título e assim chegar ao grupo especial.

O presidente da União não foi à apuração com medo da Ilha ficar atrás do Boi, mas isso não ocorreu. A agremiação da Freguesia repetiu o resultado do ano anterior alcançando o sexto lugar e mostrando de vez a sua força. Definitivamente a escola entrava para a memória dos sambistas.

Balançando a roseira.   


GAIA, A REAÇÃO DA MÃE TERRA – UMA HISTÓRIA QUE DEVE SER CONTADA DE OUTRA MANEIRA 2008 


Samba da Walkir, Nando Pessoa e Djalma Falcão.

O Boi não agüentou muito tempo no grupo A. Depois de dois bons anos cometeu alguns equívocos em 2003 em enredo, local de ensaio e fusão de samba e acabou rebaixado.

Em 2004 voltou a desfilar no grupo B. Fez desfile razoável nesse ano, um excelente em 2005 quando merecia ter voltado ao A e desfiles sofríveis em 2006 e 2007 mesmo reeditando o clássico da União da Ilha “O Amanhã” em 2006.

Eloy já se encontrava cansado, doente e eu e Cadinho indicamos Cadu Zugliani, ex diretor de harmonia do Tuiuti e compositor campeão da Mangueira em 2004 para assumir a harmonia da escola.

Cadu chegou próximo ao desfile de 2007 e não pôde fazer muita coisa. Em 2008 assumiu a direção de carnaval e com o agravamento da doença de Eloy virou o presidente de fato.

Cadu era ambicioso em relação ao Boi e decidiu trazer de volta o carnavalesco Guilherme Alexandre. Guilherme dono de enredos ricos em cultura resolveu contar a história da teoria de Gaia, mesmo foco do enredo do Salgueiro para 2014.

A teoria trata o planeta Terra como ser vivo e a nós como algo que lhe faz mal, uma espécie de vírus. Segundo essa teoria em algum momento o ser vivo doente iria reagir e tentar expurgar o vírus que faz mal ao seu corpo, no caso nós. Isso explicaria terremotos, furacões, tsunamis e outros fenômenos.         

Fiz parceria com Barbieri e Cadinho, fomos campeões no ano anterior na escola. Em “participação especial” vieram Jair Turra, Toninho Z10 e Ito Melodia que defendeu o samba na quadra junto com Cadinho, Igor Vianna, Bruno Revelação e Ricardinho Delezcluze. Roger Linhares se tornou o cantor da agremiação e Mestre Jorjão, o homem que inventou a batida funk na bateria da Viradouro assumiu o comando da bateria boiadeira.

Fizemos um grande samba. Na minha opinião a letra da minha vida e um samba que seria um de nossos maiores. Mas mesmo recebendo indícios que venceríamos durante a semana da final perdemos para o bom samba de Walkir, Nando Pessoa e Djalma Falcão.

O enredo era belíssimo, o samba tinha qualidade, mas não sei se Gaia era um tema para ser contado no grupo B. Era grandioso demais e a escola passou fria na avenida conquistando uma posição intermediária. Assim como em 2002 a agremiação teve problemas com um carro que não entrou. Justo o do renascimento da Terra. Eu costumo brincar que no carnaval do Boi da Ilha o mundo acabou, já que o carro não entrou.

Uma nova filosofia era implantada em busca do acesso. Interessante, mas arriscada.

E o Boi da Ilha cantou em forma de oração.     

  
ABRAM-SE AS CORTINAS! BRAVO! 100 ANOS DO THEATRO MUNICIPAL EM CENA ABERTA NA SAPUCAÍ 2009


Samba de Aloisio Villar, Ginho, Roger Linhares, Marquinhus do Banjo, Cadinho da Ilha, Professor, Tino Ayres, Tote e Marquinhos Silva.

O Boi sofreu uma perda para o carnaval 2009 que mudaria pra sempre sua história. O presidente Eloy Eharaldt faleceu de câncer no primeiro semestre e assumiu o comando da agremiação em forma definitiva Cadu Zugliani que já era o vice-presidente.

Guilherme Alexandre deixou a escola novamente e para seu lugar contratado Sandro Carvalho. Seguindo a linha natural de enredos do Boi mais um tema rico em cultura foi desenvolvido. O centenário do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Eu estava engasgado com a derrota do ano anterior e a parceria sofreu modificações entrando Tote, Tino e Roger que deixara o comando vocal. A letra partiu de mim e para lembrar o presidente Eloy e a mágoa que ainda tinha por ter perdido em 2008 criei o verso “boiadeiro tem raça, se esmera”.

A disputa começou e nenhum samba agradou com o Cadu paralisando o concurso para que os sambas fossem refeitos. Com isso agregamos Marquinhus do Banjo, maior vencedor da história do Boi da Ilha e que logo depois da disputa virou o cantor da escola.

Marquinhus deu toque que faltava a melodia e com algumas alterações voltamos ao concurso. Seguíamos absolutos para vencer até que Ginho, Professor e Marquinhos mexeram na melodia e contrataram Junior Nova Geração pra defender o samba.

Aquilo já era reta final de disputa e o samba deles cresceu de tal forma que o concurso ficou acirrado. Ninguém sabia quem iria vencer e pela primeira e única vez até hoje o Boi levou somente dois sambas para a final.

A festa na final foi enorme, grandes apresentações até que Cadu anunciou o resultado. Juntara os dois sambas.

Foi uma das melhores junções que já vi, perfeita. O melhor do nosso samba casou perfeitamente com o melhor do samba do Ginho fazendo um senhor samba-enredo. O Boi viveu grandes momentos naquele pré-carnaval com quadra lotada em todos os ensaios e o samba emocionando. Os últimos grandes momentos do Boi que davam a certeza de um desfile pra campeonato.    

Nunca o Boi esteve tão bonito. Nunca esteve tão grandioso em alegorias. Fez um belo desfile que infelizmente foi penalizado por erros bobos que acabaram lhe jogando para sétimo lugar.

Mas naquele carnaval realizei um dos poucos sonhos no samba que me restavam. Ganhamos o prêmio Samba-Net de melhor samba do grupo, além dele ganhamos o troféu Jorge Lafond e o samba foi nota 10.

Para finalizar aquele carnaval mágico para mim a Bia nasceu no dia que fomos receber o Samba-Net. Recebi a notícia quando descia do palco.

Em 2009 fomos Dom Quixote num moinho de ilusão. 


DO SAGRADO AO PROFANO..E O BOI, QUEM DIRIA, FOI PARAR NA FREGUESIA 2010


Samba de Rafael Mikaiá, Rico, Rodrigo Cordeiro e Daniel Barbosa.

O Boi teve problemas para 2010, muitos. Primeiro perdeu a quadra que pertencia a dona Zélia, viúva de Eloy. Depois perdeu o barracão que também pertencia a ela. Teve que gastar dinheiro para alugar um local para ensaios e um barracão. Isso sem contar que a escola tinha dívidas na Associação e no mercado.

Em crise financeira o Boi planejou seu carnaval de 2010.  Pegou uma ideia interessante, contar a história de bois. Sim, o símbolo e nome da escola seriam aproveitados em um enredo.

Mais uma vez mudamos a parceria. Ficaram apenas eu e Cadinho chegando Carlinhos Fuzil, Marcelo Cossito e voltando Barbieri. Tivemos problemas para fazer o samba devido falta de tempo.

Gravamos às pressas em um canto da União da Ilha apenas pra dizer que gravamos e conseguir inscrever. Inscrevemos o samba e faltando um dia para reunião da diretoria e análise dos mesmos recebi e-mail do Cadu dizendo que nosso samba estava todo errado.

Alegou que focamos muito na escola e pouco nos outros bois. Tivemos que refazer o samba todo em algumas horas e entregar antes da audição.

O pouco tempo acabou nos prejudicando e o samba apesar de não ser ruim foi aquém de nosso normal para a escola. Acabamos eliminados na semifinal. Situação inédita na minha vida e que continua com esse ineditismo até hoje.

Fiquei muito chateado e fui convidado para julgar samba na final. Já tinha o preferido mesmo com o meu concorrendo. Era o de Mikaiá. Assisti todos os sambas e entrei na sala de reuniões pela primeira vez na vida para a escolha de um samba. O vencedor ganhou de lavada, 12 x 1, e com merecimento se tornou o hino da escola.

O Boi sofreu na avenida com a crise financeira mostrando essa crise em alegorias e fantasias. Ainda por cima sofreu acidente com o carro abre alas indo para a avenida. Mesmo com todos esses problemas fez um bom desfile e ficaria tranqüilamente no grupo.

Ficaria..

..Se não tivessem largado os carros alegóricos na dispersão numa atitude polêmica e não esclarecida totalmente até hoje. O Boi perdeu dois pontos por esse motivo. Dois pontos que rebaixaram a escola e lhe tiraram da Marquês de Sapucaí.

Carnaval traumático pra mim por não chegar à final e para a escola que nunca mais se recuperou. Em todos os anos desde então teve problemas sérios em obrigatoriedades perdendo pontos e em 2013 de novo sendo motivo para rebaixamento.

Mas vamos esperar que tudo mude.

Na esperança que renasce a luz de um novo dia.   


Falta um carnaval e numa atitude inédita no “cinco carnavais” mudei a cronologia e um anterior aos quatro citados foi escolhido para fechar não só a coluna sobre o Boi da Ilha como a série em relação às escolas do Rio de Janeiro.

Vamos a ele. Ao último.


ORUN AYE 2001


Samba de Aloisio Villar, Paulo Travassos, Clodoaldo Silva e Silvana da Ilha.

O último carnaval do qual escrevo, o 101° tinha que ser esse. O samba-enredo da minha vida, o carnaval da minha vida. O que mudou a minha história.

O Boi ficara em quarto lugar no carnaval de 2000, só subiam duas e a princípio ficaria no grupo. Mas já no meio de 2000 a Associação decidiu subir terceira e quarta colocadas.

Dessa forma o Boi finalmente chegava ao acesso A, portas de entrada do especial, mas chegava com um terço apenas da subvenção das outras escolas. Missão complicada, quase impossível de permanecer no grupo.

O carnavalesco Guilherme Alexandre escolheu um enredo afro rico em cultura e baixo gasto. Deu o nome de “Orun Aye” que viria a ser a história de uma lenda Nagô sobre a criação do mundo tal como o enredo da Beija-Flor de 1978.

Como eu sempre digo enredo afro dá bons sambas e mesmo com apenas sete no concurso o Boi tinha boas obras. Tivemos grandes dificuldades, como poucas vezes até hoje para fazer o nosso, mas concluímos. A última frase veio depois que ouvi que um compositor do samba vencedor no anterior parecia até incorporar santo ao cantar o deles de tão bom que era.

Como ninguém nem cogitava, levava nossa parceria em consideração veio o verso “A nossa força vem da humildade”.

Começamos mal a disputa, mas reagimos. Mexemos no palco trazendo Roger Linhares, Nando Pessoa, Bujão e o restante da história vocês já estão cansados de ler. Orun Aye representou minha primeira vitória em samba-enredo.

Na avenida sob Sol do verão carioca desfilamos. Com um terço da subvenção, mas o triplo da vontade, da raça. Quem ia embora da Sapucaí voltou ao ouvir os primeiros versos do samba e quem viu aquele desfile até hoje comenta comigo. Sexta-feira mesmo Chico Frota, um importante nome do carnaval carioca comentava comigo sobre esse desfile.

O Boi não caiu, muito pelo contrário. Ficou em sexto na frente de escolas como Estácio de Sá e eu posso dizer com muita honra que fui um dos que apresentaram o grande Boi da Ilha ao lado de fora da ponte do Galeão.

Orun Aye não passou na televisão, não foi de uma escola famosa nem com torcida gigantesca, mas mesmo assim até hoje é considerado um dos melhores sambas do século e o que me deixa mais feliz é que posso falar isso sem ninguém dizer que estou exagerando ou com marra, quem conhece o samba concorda comigo.

Esse samba, essa história tinha que ser com o Boi.

Ganhamos as notas 10, ganhamos o Estandarte de Ouro, apenas o primeiro em samba-enredo de nosso bairro desde “Domingo” da União da Ilha em 1977 e ganhei meu primeiro filho. Hoje posso dizer que tenho três. Bia, Gabriel e esse samba. Samba que me marca por mais que já tenha composto, que tenha vencido concursos, que estará em mim para sempre e provavelmente será cantado por meus amigos quando eu for velado.

Sempre levarei Orun Aye comigo, sempre levarei o Boi da Ilha comigo.

A nossa força vem da humildade.


Bem..Aí estão cinco carnavais do Boi da Ilha. Tudo que eu poderia dizer sobre a escola eu falei, o que posso fazer agora é continuar dando minha humilde contribuição torcendo por dias melhores e eles virão.Com o Boi encerro a parte fluminense da série “cinco carnavais” e a minha participação.


Agora é com amigos mais preparados que eu. Semana que vem vamos para a terra da garoa.   


 FONTE:

GALERIA DO SAMBA
 www.galeriadosamba.com.br

 

ESCOLAS DE SAMBA EM CINCO CARNAVAIS:


 

MANGUEIRA



SALGUEIRO
 
MOCIDADE

BEIJA-FLOR

 
IMPERATRIZ

 
VILA ISABEL

 
UNIDOS DA TIJUCA

UNIDOS DO VIRADOURO
ESTÁCIO DE SÁ
UNIÃO DA ILHA

GRANDE RIO

SÃO CLEMENTE 


CAPRICHOSOS DE PILARES


CINCO ESCOLAS


CINCO ESCOLAS - PARTE II


    
CINCO ESCOLAS - PARTE III 
 


ACADÊMICOS DO DENDÊ 


http://www.aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/08/academicos-do-dende-em-cinco-carnavais.html


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