sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Capítulo IV - Virando Mc

Lucas nem pôde dormir muito. De manhã sua mãe lhe cutucou na cama pedindo ajuda. O rapaz dormia apenas de cueca devido o calor forte que fazia no Rio de Janeiro e com a cabeça enterrada no travesseiro perguntou qual era o problema.

Jurema respondeu que a casa estava sem luz e se ele poderia ver a fiação.  

Lucas além de pedreiro era pau pra toda obra e consertava tudo em casa.

O rapaz que trabalhava duro durante a semana e só tinha o fim de semana para descansar estava lá enfurnado na caixa de luz da casa tentando achar o problema quando Léo passou e ele pediu ajuda.

Léo perguntou qual era o problema e Lucas respondeu. O amigo riu que com aquele emaranhado de fios tinha que dar problema mesmo e pegou umas peças na caixa de ferramentas de Lucas para ajudar.

Mexiam na caixa de luz e conversavam. Léo perguntou se Lucas sabia do concurso de MCs que teria na comunidade. Lucas parou o que fazia respondeu que não sabia de nada e pediu detalhes.   

Léo contou que não sabia de muitos detalhes e que eles seriam passados durante o próximo baile. Lucas respondeu que era isso.

Léo perguntou se o amigo achara o problema na caixa e Lucas respondeu que não, mas eles entrariam no concurso.

Léo riu e perguntou se o amigo estava maluco. Lucas disse que nunca esteve tão são e que tinha achado o problema da luz.

Emendou um fio, passou isolante e pediu pro amigo ligar a força. Léo ligou e a luz voltou pra casa com Jurema gritando feliz de dentro. Lucas então virou pro amigo e disse que eles fariam uma dupla de funk, ganhariam o concurso e fariam sucesso.

Léo soltou um “puta que pariu, você realmente está falando sério”. Lucas riu e respondeu que sim, mas que depois pensariam nisso, pois, estava na hora do futebol.

Uma noite Lucas voltava pra casa cansado do trabalho quando viu uma grande aglomeração no pé do morro com o BOPE e imprensa presentes. Aproximou-se e um oficial do BOPE lhe parou dizendo que ninguém subiria.

O morro foi invadido por uma facção rival e o tiroteio estava intenso, ninguém podia descer, nem subir. O tiroteio aumentou e as pessoas correram pra se proteger das balas. Lucas já acostumado com aquela rotina atrás de uma viatura pegou o celular e ligou pra Inácio perguntando se podia dormir na obra com o homem dando permissão.

Voltou pra obra cansado sem tomar banho, deitou no chão e fez a mochila de travesseiro. Exausto tentava descansar, mas o corpo sentia tanto o esforço do dia que não conseguia relaxar.

Virou para um lado, para o outro e nada. Abriu a mochila, pegou lápis e caderno e começou a escrever. Sua primeira música, a que disputariam o concurso.

Abriu um sorriso por gostar daqueles versos que colocava no papel e continuou escrevendo.

Nem dormiu naquela noite. Antes de amanhecer voltou para a comunidade e viu que a situação estava mais tranquila, subiu o morro e foi direto na casa de Léo.

Bateu muito na porta, socou a coitada até que Léo com cara de sono perguntou o que o amigo queria.

Lucas foi entrando e sentando no sofá, queria mostrar a Léo o que tinha feito. A música não estava pronta ainda, mas Lucas cantou com empolgação o que fez. Léo bocejando e com os olhos quase fechando respondeu que estava muito bom e perguntou se podia voltar pra cama.

O amigo permitiu, mas disse que ele só tinha vinte minutos pra dormir antes que se arrumasse pra trabalhar. Saiu da casa de Léo e tomou banho em sua casa dessa vez cantando o que fizera. Trocou de roupa e saiu pro batente sem dormir um minuto.

Na sexta durante o baile correu atrás do responsável pelo mesmo e perguntou sobre as regras do concurso. O homem respondeu que teriam que ser músicas inéditas e o vencedor receberia um prêmio de dez mil reais e participaria dos shows organizados pelo Dj Mustang, além de ter a música gravada em seu cd.

Descobriu que o concurso seria em três semanas e teria que se apressar pra concluir a música. Naquela noite Lucas nem curtiu o baile direito, ficou olhando o palco com MCs se apresentando e sonhava ser o próximo, fazer parte do grupo de Dj Mustang.

Lucas ficou obcecado com o concurso e quem se deu mal nessa história foi Léo que não aguentava mais o amigo falando nele e mostrando o que tinha feito pra canção.

Fora do trabalho Léo tentava fugir de Lucas de todas as formas. Uma vez dormindo ouviu o amigo bater na porta e ficou quieto fingindo que não estava, mas Lucas pulou a janela e foi até sua cama com o papel na mão dizendo que tinha certeza que ele estava e queria mostrar a música pronta.

Cantou e Léo disse que estava muito legal, mas não sabia se queria participar do concurso, achava que não tinha talento pra música. Lucas mandou que ele parasse de besteira e perguntou se o amigo queria ser pedreiro pra sempre, ter uma vida miserável onde nem sabia se podia dormir em casa devido a tiroteios.

Léo abaixou a cabeça e respondeu que não. Lucas então pegou o celular do amigo que estava em cima da mesinha de cabeceira e mandou que ele gravasse a música. Léo colocou o celular pra gravar e Lucas cantou. 

Gravou e aprendeu a música. Lucas e Léo ensaiavam o tempo todo. No trabalho, em casa, no jogo de futebol, durante ensaios do Acadêmicos do Dendê, no baile..paravam todos para ouvir e pediam opiniões.

Rapidamente a música ficou conhecida na favela e até os soldados do tráfico cantavam. A força era grande pela vitória deles, mas não seria fácil. Rapazes de toda cidade participariam do concurso em busca desse sonho de ser artista e melhorar de vida.

Lucas e Léo aproveitavam pra ensaiar passos também. Lucas creditava muito do sucesso de Claudinho e Buchecha aos passos que davam nas músicas e achava que poderia ser um diferencial.

Além de trabalharem dez horas por dia debaixo de Sol passavam pelo menos mais quatro horas de segunda a segunda ensaiando a música e os passos.

Mas tinham intervalo pra diversão como aniversário de Jéssica.

Com sua habilidade como pedreiro e ajuda de Léo Lucas construiu uma laje em casa e nessa laje resolveram fazer um churrasco em homenagem a Jéssica por seu aniversário.  Cada um da vizinhança ajudou em alguma coisa e Jonas ficou na churrasqueira.

O samba rolava solto naquela tarde de Sol no Rio de Janeiro. Carne, lingüiça, asinha, cerveja e refrigerante pros convidados. Lucas sentia orgulho de ter organizado tudo pra sua irmã caçula, os dois tinham um grande caso de amor, imenso carinho. Como presente Lucas deu a irmã uma bolsa de marca. 

Endividou-se, parcelou bastante, mas valia a pena por ver a irmã feliz.

Até Balão estava comportado, bebia, mas pelo menos mantinha a dignidade.

Tudo corria bem, Lucas e Léo apresentaram aos convidados o funk que concorreriam no concurso do baile quando se ouviu um estampido.

Chegaram a pensar que fosse de fogos, mas Lucas se preocupou por ser um estampido seco. Ele estava certo na preocupação. Logo vários estampidos surgiram e perceberam que era um tiroteio, alguém tentava tomar o morro.

Todos correram pra se proteger. Lucas e Léo se esconderam juntos atrás de uma parede, mas Lucas percebeu que Jéssica ainda estava na laje. Gritou pela irmã, ela olhou e nesse momento um tiro lhe atingiu a barriga.

Lucas deu um grito desesperado e com coragem foi atrás da irmã com tiros passando por todos os lados. Pegou a irmã nos braços e pediu ajuda a alguém que tivesse carro. Um vizinho se prontificou e Lucas gritava com Jéssica para que ela não fechasse os olhos.

Colocou a irmã no carro e desceu o morro a toda velocidade passando por bandidos fortemente armados. Levou até o hospital Paulino Werneck na Ilha do Governador e estava cheio. Rodou a cidade toda atrás de atendimento em hospitais públicos e não conseguiu.

Desesperado vendo Jéssica perder sangue e ficar branca entrou em um hospital particular pedindo atendimento urgente porque a irmã estava morrendo.

Sentou-se na recepção rezando pela irmã e se perguntando como pagaria aquele hospital. Ligou para a mãe e contou que ela estava internada em um bom hospital e que se tranquilizasse que tudo daria certo.

Rapidamente a família toda chegou ao hospital e na recepção rezava por boas notícias até que o médico apareceu e perguntou pela família de Jéssica da Silva Violi.

Lucas tomou a frente e disse que era seu irmão. O médico respondeu que a bala pegou apenas de raspão e a menina ficaria boa.

A família comemorou e lágrimas tomaram conta do rosto de Lucas aliviado. Balão exclamou que agora só faltava eles descobrirem como pagariam aquele hospital e nesse momento Lucas caiu em si. 

Ele era pobre, a família também e não teriam como pagar. Léo perguntou ao amigo o que ele faria e Lucas perguntou como estava a situação do morro. Léo respondeu que tinha se acalmado e Pachola colocado os invasores pra correr.

Lucas então só disse que voltava em instantes e deixou a família no hospital sem responder sua mãe que perguntou aonde ele iria.

Lucas pegou o ônibus em direção ao morro. Encostou a cabeça no vidro da janela e lamentou por sua vida. Aquela pobreza que passava aonde não tinha como dar uma condição melhor para sua família. Pensou que sua irmã quase morreu em seus braços e que aquilo não era vida.

Pediu a Deus uma luz, algo que fizesse sua vida e de sua família melhorar sem precisar roubar e acabar na cadeia como Mariano.

Subiu o morro e perguntou aos soldados por Pachola. Os meninos peguntaram o que ele queria com o chefe e Lucas respondeu que era coisa pessoal. Os meninos ressabiados deram a informação.

Lucas foi até o encontro de Pachola que já sabia o que ocorreu com Jéssica e perguntou se ela estava bem, Lucas respondeu que sim, mas que precisava de sua ajuda.

Pachola sorriu e afirmou que tinha certeza que esse dia chegaria e perguntou quanto era. Lucas respondeu que não sabia ainda, não recebera a conta do hospital e Pachola mandou que o rapaz relaxasse que arrumaria o dinheiro, mas seria um empréstimo, ele teria que pagar.

Lucas concordou e voltou ao hospital.

Jéssica reagiu bem e em poucos dias estava em casa. A conta no hospital deu cinco mil reais e Lucas pegou o dinheiro com o tráfico. Léo perguntou como o rapaz arrumou o dinheiro e Lucas disse que não interessava, mas ele tinha uma semana pra devolver. Justamente o dia do concurso no baile.

Lucas passou a semana preocupado sem nem ensaiar direito. Ele tinha que arrumar cinco mil reais e entregar pra Pachola senão algo grave aconteceria. 

Tentou empréstimos, mas seu salário não dava condições pra pegar esse valor, também não conhecia ninguém que pudesse emprestar e nem tinha nada em casa que pudesse vender pra cobrir.

Tentava se abrir com alguém, mas não conseguia. Foi até o presídio visitar o irmão, mas não teve coragem de falar sobre o problema só contando do concurso no baile. Mas nem isso lhe animava. Mariano perguntava o porquê daquele desânimo e Lucas respondia que não era desânimo, mas preocupação com a proximidade do dia.

Mariano pegou no rosto do irmão e mandou que ele não desanimasse, pois, tudo daria certo e ele teria um futuro bem diferente do seu.

Bem diferente..mal Mariano sabia que Lucas já pensara que a única alternativa era cometer um assalto.

Arrumou um revólver com Pachola que mandou que ele se apressasse porque tinha até as onze da noite do dia seguinte pra devolver o dinheiro ou morria.

Lucas entendeu o recado e respondeu que o traficante não ficasse preocupado porque arrumaria o dinheiro. Pachola riu e respondeu que não estava preocupado, ele que tinha que ficar.

Lucas pegou um ônibus pra lugar incerto. Já era madrugada e ele pensou em assaltar o ônibus, mas ficou com pena do cobrador e imaginou que ali não tinha a quantia que precisava. O ônibus passou por uma loja de conveniência e ele viu ali a chance puxando a corda do veículo pra descer.

Desceu e ficou na frente da loja tentando arrumar coragem, respirou fundo e entrou.

Do lado de dentro enquanto tímido fingia olhar os produtos reparou que a loja não tinha câmera. Pegou então um saco de biscoitos e se encaminhou até o atendente, um senhor de idade já.

Entregou o biscoito pro senhor que perguntou se ele queria mais alguma coisa e Lucas respondeu que sim, todo o dinheiro do caixa.

O homem se assustou e nesse momento Lucas apontou a arma pedindo a grana. 

O homem muito nervoso abriu o caixa e pediu que Lucas não atirasse porque tinha família pra criar. Lucas mandou que ele se acalmasse porque só queria o dinheiro.

O Homem entregou e Lucas contou rapidamente. Quando chegou a cinco mil reais disse que só queria aquilo e ele poderia guardar o resto novamente no caixa.        

O homem ficou sem entender nada e Lucas pediu desculpas dizendo que não era ladrão, mas precisava daquele dinheiro.

Saiu correndo da loja e pegou o primeiro ônibus que passou.  

No dia seguinte entregou o dinheiro pra Pachola que contou e disse que estava tudo certo. Lucas virou as costas pra ir embora e o traficante falou que o “moleque era bom” e podia se unir a ele pra tomar conta do morro. Lucas pediu desculpas e recusou respondendo que essa era a última vez que faziam algum tipo de transação.

Correu pra casa com Léo já na porta arrumado perguntando onde ele se metera porque tinham que ir pro baile. Lucas pediu que o amigo se acalmasse e fosse logo pro local que ele tomaria um banho rápido e sairia.

Lucas chegou dentro do baile e Léo desesperado gritou que ele demorou demais e que mais cinco minutos terminaria o prazo de inscrição. Lucas deu vinte reais ao organizador como pagamento pela inscrição e dez cópias da letra da música, depois puxou Léo pra um canto para que respirassem e se acalmassem.

O concurso começou e rapazes de todo o Rio de Janeiro se apresentavam no palco do Acadêmicos do Dendê mostrando suas músicas, alguns muito aplaudidos. A ansiedade tomava conta de Lucas e Léo. Léo falava que ainda era tempo de desistirem e Lucas respondeu que não só não desistiriam, mas venceriam o concurso.

Como foram os últimos a se inscrever foram também os últimos a se apresentar. A expectativa aumentava na quadra até que Dj Mustang que fazia a locução chamou por Lucas e Léo.

Os dois subiram tensos no palco enquanto o público na quadra vibrava. Os rapazes olhavam a comissão julgadora sentada de frente ao palco e ficaram mais nervosos ainda. Mustang percebendo o nervosismo da dupla pediu que se acalmassem porque nem conseguiriam cantar daquela forma.

Entregou microfones das mãos dos dois e perguntou seus nomes. Eles responderam de forma quase inaudível o que provocou risos da platéia. Mustang brincou que daquela forma ficaria difícil e perguntou o nome da música. Lucas respondeu que se chamava “o sonho”.

Mustang então anunciou a dupla “Com vocês diretamente aqui do morro do Dendê Lucas e Léo com o sonho !!!”.

Ao som do remix de um DJ Lucas tentou começar a música e a voz não saía, o microfone estava falhando. Lucas mostrou a Mustang enquanto o público todo ria e o homem pediu que o microfone fosse trocado.

Entregou novo microfone a Lucas e baixinho falou em seu ouvido que se acalmasse e mostrasse seu valor. Depois no microfone anunciou novamente a dulpa e que começasse.   

Mustang mexeu com os brios de Lucas, os brios de um garoto que sempre teve que usar desse brio e valentia pra sobreviver num mundo cão. Um garoto que desde cedo aprendeu que tinha que matar um leão por dia.

Com a voz de Mustang ecoando na cabeça e mandando que mostrasse seu valor Lucas soltou a voz dando um show acompanhado de Léo que fazia a segunda voz.

O público que antes ria começou a dançar e pular com a dupla. Lucas e Léo dominaram todo o público presente na quadra e com o microfone na mão Lucas começava a realizar seu sonho, aquele que tinha quando cantava embaixo do chuveiro com xampu na mão. O sonho.

No fim foram aplaudidos de forma entusiasmada por tudo o público que gritava “é campeão”. O resultado ainda demorou meia hora com Lucas e Léo muito apreensivos, mas todos que estavam presentes naquela noite histórica no baile funk já sabiam o resultado.

Na hora Mustang anunciou o terceiro lugar, o segundo e fez suspense com o primeiro dizendo que foi uma escolha unânime. O público gritava os nomes de Lucas e Léo e Lucas não se aguentava em pé de tanto nervosismo. Seus olhos marejavam e ele pedia a Deus aquela chance.

Até que Mustang gritou “E em primeiro lugar Lucas e Léo !!!”.

Os meninos se ajoelharam chorando enquanto uma multidão subiu ao palco para pegar a dupla nos braços. No alto Lucas e Léo se abraçavam enquanto Mustang olhava a eles e sorria sabendo que tinha o futuro em suas mãos.

Uma grande noite praqueles rapazes batalhadores.

No fim, já quase amanhecendo Lucas e Léo comemoravam na laje da família de Lucas com os amigos e o dinheiro na mão. Jonas perguntou o que eles fariam com os dez mil e Léo respondeu que compraria roupas  novas e um computador.

Jonas então perguntou ao irmão o que ele faria com o dinheiro. Lucas olhava perdido as estrelas e só atendeu quando o irmão chamou de novo. Olhou pra dentro de casa e viu sua mãe orgulhosa na janela os vendo conversar, voltou a olhar o irmão e disse que iria fazer nada, já estava fazendo.

Despediu-se e disse que tinha que resolver algo importante e mais tarde voltava.

Ninguém entendeu nada.

Lucas pegou um ônibus e voltou a loja de conveniência. Entrou e encontrou o senhor de idade. O homem se desesperou e perguntou se era outro assalto.  Já abria o caixa quando Lucas mandou que se acalmasse.

Mexeu no bolso e de lá tirou um envelope de dinheiro. Disse ao homem que tinha cinco mil reais lá e pediu desculpas pelos transtornos da noite anterior, mas o emprestimo estava pago.

O homem pegou o envelope e sem entender nada ficou olhando Lucas que disse “Deus lhe abençoe” e saiu da loja.

Ao sair da loja caminhou um pouco e jogou os braços para o alto dando um grito de felicidade.


O SONHO                  


Eu sou trabalhador
Moro em comunidade
Lá eu tenho minha vida
E fiz amigos de verdade
Trabalho Sol a Sol
Vou ao baile e futebol

Minha arma é minha voz        
Deus é por mim, por todos nós
Quero com meu suor
Orgulhar o meu país
O meu sonho é ser alguém
O meu sonho é ser feliz

Eu sou do Dendê
Ilha do Governador
Não quero violência
Consciência dou valor

Eu sou do Dendê
Ilha do Governador
Quero viver a minha vida
Com ela plena de amor























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