sábado, 3 de dezembro de 2011

XIX- Luta na floresta


Uma tragédia..

O enterro de Banzé foi comovente o rapaz era muito querido e assim o Trololó todo desceu pro cortejo. Pardal bancou tudo e mandou uma coroa de flores. Eu fui um dos que segurei alça. Até o Senador foi, ele não poderia perder dividendos políticos.

Aline assumiu a gravidez e mesmo com o protesto da família resolveu que não iria tirar. Juliana foi sua maior defensora e dessa forma Aline levou a gravidez e teve uma menina a qual deu o nome de Esperança.

Dizem que a Esperança é a última que morre, mas a minha prima Esperança foi uma das primeiras a morrer e também atropelada, mas por uma carrocinha de pipocas desgovernada.

E como vocês se lembram eu tive meu celular roubado né? Na hora eu nem me toquei, mas teria problemas com essa situação.

Estava eu sonhando com a seleção feminina sueca de nado sincronizado quando o telefone tocou, atendi e era Pittinha. O bicheiro me zoava muito e perguntou seu eu já tinha visto a internet. Respondi que não e  ele mandou que eu entrasse.

Abri meu note, liguei e vi que tinha emails. Li e tinha nada demais, a maioria aqueles spams malas até que vi um com o título “atriz gostosa caiu na net”. Abri o email e quase enfartei, era um vídeo meu fudendo com a Nicole.

É amigos uma noite dessas qualquer resolvi filmar nossa transa com o celular e esqueci de apagar, ele foi roubado e aí..

Aí que parou no pornotube e como a Nicole era uma atriz muito famosa rapidamente o vídeo se espalhou e virou o mais acessado e comentado na internet.

Nicole era aquele tipo de atriz considerada “namoradinha do Brasil”, só fazia papel de mocinha e recusou propostas milionárias de posar nua para preservar sua imagem.

E essa imagem tinha ido pra casa do caralho graças ao meu celular.

Ela me ligou e quando falei “oi amor” começou a me xingar e perguntar como tinha acontecido. Lembrei que meu celular havia sido roubado e ela furiosa disse que não era desculpa que eu devia ter apagado o vídeo.

Vamos ser sinceros manolos. Se vocês comessem uma mulher famosa e fizessem um vídeo iriam apagar? É, nem eu..aquele vídeo era um troféu que eu carregaria por toda a vida. Uma vitória que eu mostraria pra netos e bisnetos e dedicaria minha última punheta velho e com um pé na cova.      

O problema maior era que com esse vídeo o meu lindo e cheiroso pezinho poderia ir para a cova antes que eu havia planejado. No telefone Nicole disse que seu meigo e delicado marido lutador de vale tudo Javier Guerrilheiro chegaria ao Brasil naquela noite depois de quase assassinar um cara que era o triplo de seu tamanho em doze segundos numa luta em Las Vegas.

Definitivamente a minha situação não era boa e como diria minha sábia mãe quem tem cu apertado não faz contrato com piroca grande. Fui comer a mulher de um lutador e agora teria que arcar com as conseqüências mesmo que as consequências fossem danificar meu pobre e frágil corpo.

Fui à escola de samba e Pittinha me zoou, major Freitas chegou por lá e me zoou também. Fui pra MAPE e o Senador gargalhava com a situação e na boca até o Curió me zoava. Eu virei chacota nacional e nem levaram em consideração que eu no vídeo comia a musa de todos os punheteiros brasileiros.

Desci o morro com Lucinho e claro, ele também me zoava. Disse que eu estava fudido porque a mulher poderia me botar um processo e o Javier arrancar meu estômago pela boca. Respondi que eu era “sujeito homem” e iria encarar aquela situação de frente. Ele então falou que tinha negócios pra resolver no Acre. 

Pegaria uma cocaína de qualidade lá e perguntou se eu queria ser seu sócio.
Perguntei se o Pardal estava nessa e ele respondeu que não, era negócio dele e ganharíamos um bom dinheiro. Achei melhor não me meter porque tinha medo de ser preso, além de poder passar por problemas com Pardal e tinha que resolver meu problema com Nicole.

Agradeci e falei que não dava. Lucinho então falou que se eu mudasse de idéia era só procurá-lo.

Estava em casa tentando resolver o problema. Liguei para Nicole e falei que precisava vê-la. Ela respondeu perguntando se eu estava maluco que o nosso caso tinha acabado e que eu nunca mais a procurasse. Falei que era importante eu precisava me desculpar e Nicole respondeu que não era pra ela que eu devia arrumar desculpas e sim pra Javier que havia ido pra minha casa.   

Perguntei “como é que é?” e Nicole reafirmou que ele havia ido em direção a meu cafofo e com intenções nada boas comigo. Na hora desliguei e botei rapidamente umas roupas numa sacola. A campainha tocou e quando vi no visor era Javier com cara de poucos amigos e com camisa sem mangas que mostravam seus braços musculosos e cheios de tatuagens que lembravam morte.

Eu como homem corajoso que sempre fui peguei minha sacola coloquei nas costas e abri a janela enquanto Javier loucamente esmurrava minha porta e depois começou a tentar arrombar.

Ele era forte demais e na terceira tentativa arrombou, foi no momento que pulei à janela. Estava no segundo andar então nem me machuquei.

Corri pela rua com Javier na janela dizendo que eu não iria escapar e me pegaria.

Encontrei Lucinho quando o mesmo saía de casa e falei que mudei de opinião iria com ele pro Acre. O bandido sorriu e mandou que eu entrasse no carro com ele.

Era isso ou ter que encarar o Javier Guerrilheiro...   

Pegamos um avião e partimos pro local das negociações que ficavam em uma cidade pequena na beira da floresta Amazônica.

Como sempre eu com cagaço de avião. Pegamos um pra Manaus e depois um caindo aos pedaços pra Rio Branco e eu com meu habitual medo de avião.

Lucinho ria e mandava eu me acalmar porque o avião era o meio de transporte mais seguro do mundo, muito mais que carro e ônibus. Eu apavorado olhando pela janela falei que todos esses veículos funcionavam com motor, mas que a diferença é que se desse problema no do avião estávamos fudidos porque todas as oficinas ficavam no chão.      

Lucinho só fazia rir.

Descemos em Rio Branco e lá um contato nos esperava. Tudo como naquela situação na Colômbia a diferença é que dessa vez seria em território nacional até porque se vocês não lembram eu tive problemas naquela viagem e acho que não seria bem vindo pelo Cartel colombiano.

De carro fomos até a cidade que se chamava Iracema. Local pobre com ruas pouco asfaltadas, falta de saneamento básico e povo com cara de sofrido que dava a impressão que aquele local havia sido abandonado a própria sorte sem que os governantes sequer soubessem de sua existência. Mas eu não estava ali para melhorar as condições da cidade e sim pra ganhar dinheiro.

Lá conheci um velho parceiro de Lucinho chamado Leon Garcia. Ele era o homem do narcotráfico da região, dono de uma fazenda que plantava folhas de coca e contendo um laboratório para fazer o refino e virar cocaína.

O Brasil virava auto-suficiente em cocaína sem precisar mais de seus irmãos da América do Sul, que orgulho esse país..

Leon era simpático e como todo homem simpático desse meio eu não confiava. Lucinho é simpático e vocês já viram algumas de suas atrocidades. Recebeu-nos em sua mansão que em nada lembrava as casas daquele povo sofrido de Iracema.

Batemos papo até tarde em sua sala. O homem nos serviu bebida de melhor qualidade e cocaína purinha 100% Amazônia. Bebemos, ficamos doidões, falamos merda pra caralho e depois fomos nos deitar porque o dia seguinte seria de negócios.

Acordamos já no fim da manhã e almoçamos direto. Comida farta em que foi nos servido pratos típicos da região como carne-de-sol com pirarucu, tucupi e molho feito de mandioca.

 Lucinho como vocês já sabem não gosta de peixe, mas eu adoro e me fartei.

Depois de uma siesta fomos para a fazenda construída no meio da floresta. Era uma área grande e fiquei impressionado em como conseguiam plantar aquela coca toda sem serem percebidos. Leon riu e falou que para tudo nessa vida dava-se um jeito e o jeito chamava-se propina.

Conhecemos toda a fazenda e descobri que os trabalhadores eram escravos de Leon. Coisa meio complicada de se imaginar em pleno século XXI, mas sim existem escravos no Brasil. Leon se aproveitava de trabalho escravo sob argumento que os homens tinham dívidas com ele e assim os mantinham em sua fazenda apenas em troca de comida e moradia.

Se é que podia chamar de comida o que eles recebiam, parecia mais ração de porco e dormiam no chão mesmo. Acho que Leon e outros fazendeiros da região nunca ouviram falar em Princesa Isabel.    

Fiquei impressionado com a situação dos trabalhadores do local, mas eu estava mais interessado em levar o pó pro Rio de Janeiro e ganhar dinheiro.

Conhecemos o laboratório e lá demos uma provadinha na cocaína. Era coisa de primeiro mundo mesmo, pura como não eram vendidas nas favelas cariocas. Os cifrões brilharam em meus olhos e de Lucinho, combinamos o preço e entregamos um malote de dinheiro recebendo outro com cocaína purinha.

De noite Leon quis comemorar e falou que o melhor lugar de Iracema para isso era o bordel de dona Carmem. Sim amigos quase todas as cidades brasileiras das mais ricas até as mais pobres tem uma av.Getulio Vargas e um puteiro. Lucinho e eu gostávanos muito da fruta e topamos.

Chegando lá haviam mulheres de todos os tipos e idades. Quando falo de todas as idades eram de todas as idades mesmo!!  Mulheres idosas já e outras garotinhas de treze, doze anos. Iracema era uma cidade sem lei como muitas esquecidas pelo poder. Cidade onde trabalho escravo e prostituição infantil eram coisas corriqueiras.

Sim eu ainda tinha um resquício de escrúpulos e ver meninas tão jovens se prostituindo não era legal. Havia meninas que claramente eram apenas um pouco mais velhas que a minha filha Rebeca e isso me enojava, mas o pior era que muitas vezes isso ocorria com o consentimento dos pais.

Vi o momento que um homem já aparentando certa idade, cara sofrida, chegou com uma menina que mal devia ter chegado a puberdade. A tal dona Carmem, uma mulher coroa com seios fartos e sorriso que faltavam alguns dentes foi ao seu encontro conversou um pouco com o homem e lhe deu um maço de dinheiro. O homem deu um beijo na testa da menina, se virou e foi embora.

Dona Carmem mandou que a menina que segurava uma pequena mochila subisse e veio ao nosso encontro. Com o sorriso banguela contou pra Leon que havia acabado de comprar aquela “cabritinha” e na noite seguinte rifaria sua virgindade. O traficante riu e falou que compraria todas as rifas.

Eu que não gostava daquela situação ressolvi encher a cara. Leon e Lucinho se divertiam, arrumaram duas meninas e decidiram fuder. Perguntaram se eu não iria junto e aleguei que havia bebido demais então preferia ficar no salão.

Eles subiram e eu fiquei lá enchendo a cara e de vez em quando indo ao banheiro dar uma cheiradinha. No banheiro liguei para Juliana para saber como Rebeca estava e de tão bêbado liguei errado. Quem atendeu foi Nicole que reconheceu minha voz e perguntou o que queria com ela ainda mais aquela hora. Javier tomou o telefone e disse que iria me matar. Achei melhor desligar e voltar à mesa.

Quando voltei percebi uma grande confusão no salão. Tinha um grupo de religiosos no local protestando contra a exploração infantil e uma freira na frente batia boca com dona Carmem. Morena, jovem devia ser mais nova que eu e mesmo assim valente com discurso firme falava que aquilo era ilegal e contra as leis de Deus e que aquela situação mudaria.

Pouco depois a polícia chegou e em vez de combater aquelas 
atrocidades que ocorriam no bordel levou as religiosas embora com o estabelecimento continuando a funcionar normalmente.

Meu porre curou rapidinho e sentei à mesa intrigado por aquela mulher. Pouco depois chegaram Lucinho e Leon de seus programas e contei o que havia ocorrido. Leon logo percebeu quem era disse que chamava-se Leila Molina, a Irmã Leila, uma jovem freira que comandava uma organização dos direitos humanos. Completou falando “chata pra caralho” antes de botar um gole de cerveja na boca.

No dia seguinte acordei cedo e fui até o centro da pequena cidade tentar saber mais sobre Irmã Leila. Descobri que realmente era a principal líder de uma organização que defendia os direitos humanos combatendo a prostituição infantil, trabalho escravo e fazia mais coisas como ensinar crianças e adultos a ler e escrever aprendendo assim seus direitos e deveres e combatia o desmatamento da Amazônia. Quer dizer, era uma mulher que combatia os interesses dos poderosos e dessa forma com muitos inimigos.

Premiada por sua luta, respeitada em toda região e marcada pra morrer..
Voltei à mansão de Leon antes que todos acordassem e quando acordaram nos aprontamos pra ir embora. Nos despedimos de Leon e partimos para Rio Branco.

O aviãozinho teco teco doido pra cair já nos esperava quando virei pra Lucinho e falei que não iria. Ele perguntou como assim se eu tinha enlouquecido e respondi ao bandido que meu faro jornalístico sentia cheiro de uma grande matéria e eu precisava ficar mais uns dias em Iracema.

O bandido falou que sem problemas, já tinha compradores certos pra droga e quando eu chegasse racharia a grana. Mandou que eu tomasse cuidado e embarcou pra Manaus.

Como se Lucinho tivesse muito preocupado comigo...

Peguei um ônibus e voltei pra Iracema. Irmã Leila era muito famosa na região e até na Europa. Foi várias vezes ao continente europeu fazer palestras sobre as condições na Amazônia e lá recebeu prêmios, comendas e recebia ajuda financeira pro combate ao desmatamento e aos crimes que tentava revelar ao Brasil.

 Mas o Brasil mesmo parecia que cagava pra ela, eu mesmo nunca tinha ouvido falar nela e aí que eu podia me dar bem. Ser o jornalista que apresentaria Irmã Leila ao Brasil e ganhar os louros nessa história.

Descobri onde ficava a sede de sua ONG e fui até lá. Entrei e dei de cara com ela lendo um livro para um grupo de crianças. Fascinado fiquei na porta reparando até que o livro acabou e ela se despediu das crianças que partiram, cada uma dando um beijo nela e agradecendo a “tia Leila”.

O local ficou vazio, Leila virou pra mim e disse “pois não?”, respondi que era jornalista do Rio de Janeiro e perguntei se não podia fazer uma matéria com ela pra apresentá-la ao Brasil. Leila ficou em dúvida e depois respondeu com a pergunta “por quê não?”.   Assim entrevistei a heroína do Norte.

Uma história de lutas. Filha de um seringueiro com infância pobre, quando criança passou necessidade e quase foi vendida a dona Carmem, aquela mesma do bordel. Passou fome, mas ao contrário da grande maioria da população da cidade aprendeu a ler, escrever e seguiu a religião. Lá se aprofundou nas causas sociais e chegou aonde estava naquele momento.   

Perguntei se ela não tinha medo de morrer. Leila abriu um sorriso lindo e respondeu que desde quando nascemos começamos a morrer, cada dia que passava estávamos mais perto da morte e que só morremos quando Deus quisesse e quando fosse de sua vontade ela iria para o céu. Já havia sofrido dois atentados, mas isso só lhe mostrava que estava no caminho certo.

Me sentia um merda ouvindo Leila falar. Eu que era um cara cheio de princípios tinha deixado tudo pro lado devido a dinheiro e poder e ela lá naquela bravura. Irmã Leila era mais macho que eu.

E, desculpe Senhor, muito gostosa.

Fiz a entrevista e passei a acompanhar seu dia a dia. Combinei ficar três dias ao seu lado conferindo como era sua vida para a reportagem. Acompanhei suas caminhadas por Iracema e toda a região, inclusive sua ida até a fazenda de Leon para tentar alertar os trabalhadores que eles eram enganados pelo traficante. Claro, nessa hora eu estava disfarçado e doido para que não me vissem.

Eu acompanhei Leila esses dias todos cheio de cagaço quase me borrando nas calças. Ela não, ia na frente de tudo valente, olhar empinado, o olhar de quem sabia que estava com a razão. Várias vezes eu estava na ONG e rolavam ligações com ameaças de morte. Eu assustado olhava pra ela enquanto Leila planejava o Natal das crianças. A mulher estava feliz com a data.

Fiz uma boa amizade com Irmã Leila e não posso negar que sentia muita atração também, mas tentava evitar esse sentimento por ela ser freira já bastavam todos os pecados que eu já tinha pelas costas. Leila parecia gostar de mim, eu via seus preparativos todos pro Natal e ela lamentava que eu não estivesse lá.

No dia 23 de dezembro embarquei num ônibus para Rio Branco e me despedi da Irmã. Mas o ônibus só andou uns metros e mandei que parasse. Desci e corri ao encontro de Leila contando que passaria o Natal com eles.

Irmã Leila abriu um sorriso e me deu um abraço feliz. Ajudei a irmã nos últimos preparativos e a festa ficou linda.

Eu em Iracema me sentia o velho Gilberto Martins. Sentia-me bem, feliz mesmo com aquele medo todo que nos cercava. Assim via as crianças cantando músicas de Natal na ONG e recebendo presentes. Algumas delas nunca haviam recebido presentes na vida e seus olhos brilhavam com os brinquedos que ganharam, brinquedos humildes, mas que para elas era tudo.

No fim da festa levei Leila em casa, caminhamos por Iracema deserta e ela rindo contava como foi sua infância e adolescência. Chegamos na casa e na hora da despedida nossas bocas se aproximaram. Fiquei tentado a beijar sua boca, mas resisti e beijei o rosto me despedindo.

Eu já estava perto da esquina quando notei um carro passar a toda velocidade por mim. Na frente da casa de Leila apontaram metralhadoras e atiraram. Muitos tiros mais de duzentos e foram embora. Saí correndo em direção a casa e desesperado bati na porta chamando por ela. Leila não me atendeu então dei uma de Javier Guerrilheiro e arrombei a porta.

Encontrei Irmã Leila assustada escondida embaixo da mesa e chorando. Fui ao seu encontro e lhe dei um abraço dizendo que ela não estava sozinha. Leila respondeu que estava com medo e passei minha mão em seu rosto enxugando as lágrimas. Não resisti e beijei sua boca, ela correspondeu.

No fim do beijo pedi desculpas, olhei pra ela e novamente não resisti beijando. Nos beijamos com mais vontade ainda e acabamos no quarto fazendo amor.

Tá bom, ok..eu sou um filho da puta. Desviei uma freira do seu caminho.

Transei com uma serva de Deus e isso com certeza daria pontos no meu plano de milhagem pro inferno. Mas foi mais forte que eu e que ela. Leila estava lá desprotegida e..tá bom, fiz merda.

Na manhã seguinte acordei cheio de culpa e vi Leila dormindo nua, linda. Vesti a roupa e pra não ter que olhar muito aquela cena fui até uma padaria próxima comprar pão para nosso café.

Eu lá na fila para pagar senti algo duro encostando em minhas costas, mas não parecia ninguém excitado com minha bunda. Quando tentei olhar pra trás Leon apareceu na minha frente e sorrindo perguntou o que eu fazia ainda na cidade e que não olhasse porque um capanga seu estava com uma arma em minhas costas.

Logo notei que não era ninguém com tesão em mim...

Sorri e falei para Leon que havia gostado da cidade, muito aprazível e que eu tinha decidido ficar mais uns dias nela. Leon acariciou meu rosto e aconselhou que eu fosse embora naquele dia mesmo para o Rio de Janeiro senão eu não veria a virada do ano e que eu aproveitasse e levasse a freira junto.

Recado entendido voltai à casa de Leila e falei que tínhamos que ir embora senão viraríamos oferenda para Iemanjá no reveillon. Ela não entendeu muito e pedi desculpas pela referência ao candomblé, contei toda a situação e Leila sorrindo falou que não iria embora.

Ainda argumentei falando que não era brincadeira nós viraríamos seres encantados da floresta senão nos mandássemos, mas de nada adiantou. Irmã Leila falou que aquela era sua terra e morreria por sua luta e que se eu quisesse poderia ir embora sem problemas. Aliás ela até preferia que eu fosse porque a noite anterior foi um erro e ela havia se arrependido. Só havia espaço na sua vida para a causa que acreditava e Jesus.

Nesse momento peguei no rosto de Irmã Leila e sério falei “estou com você nessa e não vou lhe abandonar, se for pra morrer morreremos juntos”. Falei com toda convicção e lhe dei um beijo apaixonado.

Ah para..jura que vocês acreditaram que eu falei isso mesmo? É ruim héin? Virei pra ela e falei “tchau, te mando um cartão do Rio”, dei um beijo em seu rosto e me mandei.

Um vez cagão, sempre cagão..  

Voltei para o Rio e mostrei toda a reportagem pro Senador que ficou puto e perguntou se era aquela baboseira que eu tinha feito no Acre e que evidente ele não publicaria até porque tinha negócios na região com a indústria madereira.
Mas eu não deixaria aquela história passar. Entreguei ao meu ex chefe no Correio Carioca e assinei com pseudônimo.

A matéria com a entrevista da Irmã Leila Molina e reportagem de seu trabalho e ameaças que sofria saiu na edição de domingo, dia anterior da virada do ano causando grande repercussão. No mesmo dia havia emissoras de televisão em Iracema entrevistando a Leila. Eu vi que finalmente tinha feito algo de útil para a sociedade.

No dia seguinte passei o reveillon na casa do Senador, mesmo ele puto comigo porque a reportagem saiu. Aleguei que havia vendido a matéria. Festa com muitos convidados, chique e que eu pude trazer meus pais de Itaperuna pra participar e entregar o presente atrasado de minha filha.

Juliana me viu e em vez de me cumprimentar por não nos vermos há dias perguntou se era praquilo que eu queria voltar com ela, respondi “praquilo o quê?” e ela falou do vídeo na internet com a Nicole. Eu disse que tinha nada a ver aquilo havia sido um acidente, mas ela não me deu ouvidos falando que minha vida era cercada de “acidentes” e queria ficar longe deles.

Passei a festa com meus pais, Rebeca, bem ou mal Juliana, pessoas que eu amava. Pasmém recebi ligações de Pittinha, major Freitas, Pardal e Lucinho, esse falando que já estava com minha grana. Mas eu só pensava na Leila e como ela estava.

Perto da contagem Juliana chegou perto de mim e disse que sentia muito por minha amiga. Não entendi e pedi que ela me explicasse. Juliana então falou que havia acabado de dar plantão na televisão que a Irmã Leila havia sido assassinada com seis tiros na porta de sua casa naquela noite. Morreu com uma Bíblia e um terço nas mãos.

Fiquei espantado e arrasado com a notícia mesmo sabendo que aquele seria o fim. Getulio abriu a contagem dos segundos pra virada do ano e quando deu meia noite todos felizes se abraçaram, menos eu que deixava uma lágrima cair por Irmã Leila.

Feliz ano novo..











Nenhum comentário:

Postar um comentário