terça-feira, 13 de março de 2018

NO REINO ENCANTADO: CAPÍTULO VII - O NOVO REI


Anderson sem entender nada perguntava “Como assim vocês esconderam o príncipe?” enquanto o menino perguntava o que estava acontecendo. Bia explicou tudo o que ouviu no centro da cidade e o príncipe estarrecido se sentou.

O príncipe logo se recompôs, levantou e disse que precisava ver aquilo pessoalmente. Gabriel entregou o óculos e o boné pro menino enquanto Anderson continuava perguntando e pedindo explicações. Gabriel virou para ele e disse “Pai não se mete, é conversa de adultos”.

Mesmo não podendo se meter Anderson conduziu as crianças na charrete até o centro do reino e a imagem que encontraram era inesperada. As pessoas estavam muito felizes.

Sim. Aquele reino era um reino feliz, mas estava mais que o normal. As pessoas dançavam na rua, estavam animadas, viviam uma plena euforia sem nenhum motivo. Anderson e as crianças tentavam entender o motivo daquela euforia quando o homenzinho de terno verde apareceu perguntando “O que é o que é o que a areia falou pro mar?”. Antes que as crianças respondessem o homenzinho começou a gargalhar e respondeu “Deixa de onda!! Ahahahahah!! Deixa de onda!!”.

Saiu assim como chegou e Anderson comentou que alguma coisa errada acontecia. Nisso Bia viu uma aglomeração em volta de homens vestidos de amarelo e pediu que se aproximassem desse grupo.

As crianças se aproximaram e um dos homens de amarelo muito simpático perguntou “Oi crianças, eu sou do comando amarelo, querem chocolate crock?”.

Bia, verdinho e Gabriel se olharam sem entender e o homem mostrou o chocolate “chocolate crock, estamos distribuindo em nome do novo rei, querem?”. Verdinho perguntou o porque do nome quando viu um homem colocar na boca, começar a mastigar e fazer barulho “crock..crock..”. Verdinho completou “entendi”.

Um menino pediu licença a eles e pegou um chocolate crock. Colocou na boca, começou o barulho de “crock..crock” e do nada o menino começou a ficar feliz, eufórico e a pular e dançar. O homem do comando amarelo virou para eles e disse “Viu como é bom? Querem?”.

Verdinho se animou para pegar e Bia segurou sua mão dizendo ao homem “obrigado moço, mas papai ensinou a não aceitar coisa de estranhos”. O homem perguntou se eles tinham certeza e Bia confirmou que sim.

As crianças se afastaram enquanto a multidão em volta do comando amarelo aumentava cada vez mais. Anderson e príncipe perguntaram o que ocorria e Bia respondeu “O comando amarelo está distribuindo crock para o povo”. Anderson pediu que a menina explicasse e ela contou.

Anderson se intrigara com o chocolate e a euforia das pessoas, até uma banda estava passando e tocando no meio da rua quando Gabriel olhou para o céu e disse apontando “olha!!”.

Todos olharam e Bia comentou “Que estranho, o Sol está triste.

Realmente o rosto do céu estava triste e ela completou “Se as pessoas estão tão felizes por quê o Sol está triste?”.

Anderson comentou que tudo estava muito estranho e era melhor que voltassem pra casa e pensar no que fazer, até porque o príncipe corria perigo ali.

Voltaram e enquanto isso a população cada vez mais eufórica saudava o novo rei. Irmão decidiu criar um exército para defender o reino, o local não tinha até então, e se nomeou o comandante em chefe. Irmão passou a se vestir de uniforme militar, a fumar um charuto fedorento e a ter o domínio absoluto do reino como sempre sonhou.

Mago ruim era um dos grandes responsáveis por tudo aquilo. Com o encantamento feito por sua irmã mantinha o casal real preso na gaiola e o chocolate crock fazia o resto do serviço mantendo a população eufórica e amando o “Comandante em chefe”. Mago ruim começou a servir um monte de variações do crock. Pessoas comiam o chocolate, bebiam em copo e taças e alguns até pegavam o crock em pó e fumavam em cachimbos. O crock virou a grande mania nacional.

Mas as coisas não andavam assim tão boas no reino por mais que irmão tentasse convencer o contrário. Do nada aquele reino super colorido foi perdendo a cor. Desbotando pouco a pouco até que perdeu de vez. Tudo ficou preto e branco e não se via mais postes, cavalos e trens falando, muito menos Sol dando bom dia. Apesar da aparente euforia virou um reino comum, um reino triste.

Um dia mago ruim chegou no irmão pedindo para conversar. “irmão, quer dizer, comandante em chefe, precisamos conversar”.

O homem fumava o fedorento charuto e perguntou o que mago queria. Abanando o ar o mago pediu “Primeiro que você parasse de fumar, isso faz mal a saúde e fede”.  

Irmão apagou o cigarro e o homem continuou “As pessoas começam a ficar insatisfeitas. O reino está preto e branco, perdeu as cores e começam a reclamar.”

Irmão mandou que aumentassem a dose do chocolate e mago ruim argumentou “Comandante, o chocolate é perigoso. As pessoas estão ficando doentes por causa dele.” Irmão rebateu “Não importa, aumente a dosagem do chocolate”. Mago ruim perguntou o que fazer com os insatisfeitos.

Irmão decidiu revidar. Em um discurso para a população que durou doze horas e fez todo mundo dormir disse que o reino estava maravilhoso, com fartura, muito chocolate e quem não gostasse do que ocorria era bobo. Deu o nome de “boboistas” para quem reclamava de seu governo e que os boboistas seriam combatidos.

Nesse meio termo criou o DROPS, Departamento do Reino de Ordem e Política Social comandando pelo general Batatinha e o DROPS seria para prender os boboistas. Rapidamente a cadeia ficou cheia e as pessoas eram presas por qualquer besteira.

Um dia Anderson foi com Bia, Gabriel e verdinho até centro vender seus produtos. Por prudência príncipe ficou com Rebeca na vila. As ruas já eram bem diferentes do que se acostumaram e nem lembravam mais a euforia do começo de reinado de irmão. As pessoas magras, vagavam como zumbis pedindo chocolate e nuvens pesadas ocupavam o céu no lugar do Sol.

 As crianças assistiam o exército desfilar no meio da rua, onde antigamente passavam bandas, quando Gabriel brincou com verdinho e comentou “Olhe, eles vestem verde, parecem com você”.

Verdinho rindo respondeu a Gabriel “Você é muito bobo”. Não devia ter feito isso.

No momento que disse isso um dos soldados virou-se para os meninos e perguntou a verdinho “o que você disse?” o menino confirmou que chamara o amigo de bobo quando o soldado começou a gritar “boboista!! Boboista!!”.

Vários soldados se aproximaram e pegaram Gabriel pelos braços, um deles disse “Vamos boboista, você está preso, vai pro DROPS” quando Bia percebeu a movimentação correu atrás de Anderson.

Contou ao homem tudo que estava ocorrendo e ele correu pra defender o filho.

Chegou e argumentou com os soldados que havia um engano e um deles respondeu que só o general poderia lhe soltar. Anderson pediu por sua presença e ficou esperando um bom tempo e perguntando “Cadê esse general?”. Até que ouviu uma voz dizendo “estou aqui”.

Anderson perguntou “Aqui aonde?” e a voz respondeu “Aqui”. Continuou procurando e a voz dizendo “aqui, aqui”, até que respondeu “aqui embaixo”.

Anderson olhou pra baixo e viu que o general tinha uma cara braba, mas era baixinho, tinha nem um metro.

O pai de Gabriel riu e disse “Ta bom menino, vai chamar o general”. O general se aborreceu e respondeu que era ele, Anderson continuou “quer eu te pago um sorvete, mas vá logo que to com pressa menino”. O General, muito irritado, gritou “Me respeite!! Eu
sou o general Batatinha!!”.

Anderson riu e respondeu “Batatinha? Pequenino desse jeito você ta mais pra ervilha”. O general, irritadíssimo,, deu voz de prisão a Anderson que assim foi levado com Gabriel.

Bia tentou intervir, mas verdinho impediu dizendo “melhor voltarmos pra casa e falar com o príncipe”. Subiram na charrete e foram correndo.

Chegando entraram desesperados na casa encontrando o príncipe lavando louças com Rebeca. A mulher, assustada, perguntou o que ocorria e perguntou por sua família. Eles explicaram e a mulher quis sair correndo para o palácio. Príncipe impediu e disse que eles tinham que bolar alguma coisa.

Pensaram, pensaram e príncipe comentou que irmão tinha um ponto fraco, seu cachorro, que um assessor levava pra passear todas as manhãs. Levava e dormia num banquinho enquanto o cachorro brincava perto do lago.

Era a chance deles.

Gabriel era interrogado por general Batatinha e por irmão que perguntava por outros boboistas. Gabriel respondia que não sabia de boboista nenhum e general comentou com irmão “ele é jogo duro, não vai falar”. Irmão, muito sério, respondeu “vamos ter que apelar”.

O general, preocupado, perguntou se o comandante tinha certeza e o homem respondeu “Faça o que tem que fazer pra ter as respostas”.

O general deu a ordem e o soldados colocaram Gabriel em cima de uma mesa. O menino, nervoso, perguntou o que fariam com ele e os soldados tiraram seus sapatos e com uma pena começaram a fazer cócegas em seus pés.

O menino ria, gargalhava, dizendo que não sabia de boboista nenhum quando o assessor, desesperado, entrou na sala do DROPS e disse “levaram o cãozinho!!

Irmão gritou “Meu cuty cuty!! Como?”. O assessor respondeu que tirara um pequeno cochilo e quando acordou o cachorro não estava mais lá, apenas um pequeno bilhete. Irmão pegou o bilhete e leu, estava escrito “soltem os dois presos ontem senão o cachorro vai virar sabão”.

O homem desesperado gritou que soltassem os presos. Gabriel se levantou, botou os sapatos, agradeceu e saiu correndo enquanto irmão gritava “Coloquem o dorminhoco na prisão!!”.

Gabriel e Anderson voltaram pra casa e antes que as crianças festejassem Anderson disse a Rebeca “Vamos arrumar as coisas mulher, vamos embora”. Bia perguntou o motivo e o homem respondeu “O comandante não deixará esse sequestro pra lá, virá atrás da gente”.

Rebeca e Anderson arrumavam as coisas para irem embora do reino enquanto as crianças, tristes, pegaram as bicicletas e foram até o lago se despedir. De lá viram muitas pessoas carregando
coisas e indo embora. Iam para o exílio com medo do governo de irmão.

Bia viu uma figura e espantada perguntou “até você?”. Era o homenzinho de terno verde.

Triste e carregando uma mala o homem perguntou “O que é o que é qual o queijo que mais sofre?”. Bia não soube responder e o homenzinho chorando respondeu “o queijo ralado”.

O homenzinho partiu assim como muitas pessoas. Verdinho pegou a bicicleta e disse “melhor voltarmos”. As crianças pegaram as suas e começaram a voltar com Bia ficando pra trás.

A menina pegou a bicicleta e começou a voltar quando ouviu uma voz perguntando “Espere, aonde você pensa que vai?”.

Ela olhou pra trás e viu uma figura conhecida sentada sobre as águas do lago. Surpresa disse “Você é o mágico do circo!!”.

O homem sorriu e respondeu.

Sou, mas pode me chamar de mago bom.


CAPÍTULO ANTERIOR:

O CLANDESTINO 

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