17 ANOS SEM MICHAEL JACKSON
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Tive dois grandes ídolos na minha vida.
Um foi Zico, Arthur Antunes Coimbra, o “galinho de Quintino”, maior jogador da história do Flamengo e era o melhor jogador do mundo na época em que comecei a entender o que era a vida.
O outro foi Michael Jackson.
Quando “Thriller” foi lançado eu tinha sete anos de idade, a idade em que começamos a entender a vida, o mundo e enquanto Zico fazia gols no Maracanã Michael Jackson assombrava o mundo se vestindo de zumbi e dançando com outros zumbis. Não só isso, ele dançava com zumbis, dançava com gangues de rua, falava que uma tal de Billie Jean não era seu amor e ainda andava para trás. Quando eu comecei a entender sobre quem eu era eu vi um cara bater o recorde de vendas de um disco, revolucionar o pop, os videoclipes, virar presença obrigatória em todas as festas, rádios e pra sempre na minha vida.
Todos os garotos da minha idade queriam imitar Michael Jackson, ser Michael Jackson. Ele era o cara!! Nas festinhas rolavam concursos de break e todos imitavam, pelo menos tentavam, o moonwalker. Ele era a nossa arma quando as meninas tentavam impor os Menudos, Michael Jackson era nosso irmão mais velho, o que queríamos ser quando crescêssemos.
Seus shows os mais disputados, seus discos os mais vendidos. Eu lembro de filas nas portas das lojas na noite anterior do início das vendas de seus Lps. Seus clipes eram lançados simultaneamente do mundo inteiro. Para lançar “Bad” a Globo fez um programa especial, para “Black or White” atração principal do Fantástico!! E que clipe era aquele??? As pessoas mudavam de rostos em uma tecnologia nunca vista!! Era o maior artista do mundo!!
Mas o tempo foi passando, suas excentricidades prevalecendo mesmo com sua qualidade artística nunca caindo. As polêmicas aumentaram, acusações sérias, seu rosto ficando estranho e eu crescendo fiz o que a maioria das pessoas fizeram. Eu me afastei dele como o mundo se afastou. Pior, entrei na onda de fazer chacota dele como o mundo começou a fazer.
Até que ele morreu e todos choraram a perda daquele que um dia idolatramos e no fim definimos como “esquisito”.
Recentemente foi lançado o filme “Michael” que conta sua história. Filme odiado pela crítica, mas que arrastou multidões para o cinema. Michael é redescoberto, novamente amado. Gerações que não lhe viram vivo lhe amam e sabemos que ele tem muitos fãs que nem nasceram ainda. Continuam lhe achando esquisito, bizarro, excêntrico, mas reconhecem..que puta artista!!
E todo aquele amor, aquela idolatria que eu tinha por ele voltaram.
Depois vi inúmeros programas sobre ele, ouvi direto suas músicas e me sinto mal. Mal porque eu abandonei meu ídolo em seu pior momento. O cara que me ensinou ainda garoto o que era legal na vida, no mundo, que ajudou a moldar meu gosto artístico foi zoado por mim, foi ironizado por mim e eu não estive do lado dele quando o mundo virou as costas, quando ele se sentiu sozinho. Eu sei, é idiota pensar isso, ele nunca soube da minha existência, fez falta nenhuma pra ele eu ter feito o que fiz, mas eu sei o que fiz e sei também que assim como eu milhões fizeram e, talvez, se não tivéssemos feito isso ele estaria aqui até hoje. Michael foi abandonado, Nós não ligamos pra ele.
Tenho tentado me redimir desde sua morte. Desde pequenininha mostrei pra Bia seu valor, mostrava todas as músicas e ela virou fã dele, tem uma crônica aqui de 2013 que fala da idolatria que ela sentia e sente por ele. Thriller nos uniu ao ponto de fazer a bagunceira ficar 13 minutos imóvel assistindo o clipe e botar a mão na minha boca porque eu imitava a risada do Vicent Price e ela tinha medo.
E o mais novo, o Lucas, só tem dez anos, nasceu sete anos após a sua morte e é louco por ele.
Levei a família toda para ver o filme em um momento de congraçamento nosso. Bia emocionada, Lucas dançando ao fim do filme, Gabriel, que é super agitado, concentrado vendo o filme. Acho que consegui encontrar uma forma de pedir desculpas ao meu ídolo.
Michael Jackson foi o maior artista que pisou nesse planeta. Grande como cantor, compositor, dançarino, coreógrafo, produtor e não só isso. Um cara que redefiniu o planeta. Não é exagero dizer que existe um planeta antes e depois da sua presença aqui e existem poucos seres humanos que conseguiram isso.
Obrigado Michael por ter sido meu ídolo e me desculpe qualquer coisa.
Se não dá pra consertarmos o passado fazendo o mundo andar pra trás como você fazia dá pra curá-lo como você pedia.
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